Foz do Iguaçu – Há quase uma década, Foz do Iguaçu aparecia no topo do ranking das cidades brasileiras com mais assassinatos de adolescentes. Em 2007, eram 11,8 mortes a cada grupo de mil jovens. Três anos depois, o município reduziu o Índice de Homicídios de Adolescentes (IHA) para 7,83, e passou para a 9ª posição no ranking nacional. Na última edição do estudo do Programa de Redução da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens (PRVL), divulgada pelo governo federal em fevereiro, e que leva em conta os dados de 2012, Foz do Iguaçu aparece com IHA 6,61, na 16ª posição, quase deixando o quadro das 20 cidades mais violentas para adolescentes.
No entanto, cinco homicídios de jovens com idades entre 12 e 17 anos, registrados nos últimos 45 dias, acenderam a luz de alerta na cidade. A população teme uma retomada dos índices anteriores. No primeiro trimestre deste ano, Foz foi o único entre os seis municípios mais populosos do Estado que viu os assassinatos de jovens aumentarem (33%) em relação ao mesmo período do ano passado. Foram quatro mortes contra três no ano passado. O quinto homicídio, ocorrido no dia 6 deste mês, não entrou na estatística do primeiro trimestre. Curitiba teve redução de 20% (de dez para oito) e Londrina, de 50% (de quatro para duas mortes). No geral, a queda foi de 30,43%, segundo dados fornecidos pela Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp).
O delegado-chefe da 6ª Subdivisão Policial de Foz do Iguaçu, Alexandre Macorin de Lima, destacou a redução dos assassinatos do gênero nos últimos anos. Sobre o aumento no trimestre, ele considerou o período muito curto para análises mais aprofundadas. "O importante é que, nos dados consolidados, temos reduzido constantemente as mortes de jovens. Além do trabalho das forças de segurança, podemos destacar também a própria recuperação econômica da cidade", ressaltou.

DROGAS

Para reduzir os homicídios, o delegado contou que a estratégia foi atuar no enfraquecimento das guerras entre grupos rivais. Ele lembrou de um caso emblemático ocorrido em Foz em fevereiro de 2012. Seis homens armados invadiram o velório de um adolescente que havia sido assassinado. Como não acharam o irmão da vítima, dispararam várias vezes no caixão. "Esse tipo de motivação, por disputa de grupos criminosos rivais, hoje é exceção, mas infelizmente ainda temos o problema do tráfico", lembrou.
Das cinco adolescentes mortos no ano, pelo menos três tinham relação com o tráfico de drogas. "É possível perceber que a maioria das mortes se trata de execução", afirmou. Uma das vítimas, um rapaz de 17 anos, foi morto no dia 11 de março, no Jardim Jupira, com 17 tiros. Ele teria sido acusado de desviar R$ 500 de venda de drogas. Outro jovem de 17 anos, suspeito de atirar objetos para dentro de unidades prisionais, foi assassinado no dia 25 de março, no Bairro Três Lagoas. As outras mortes ocorreram na Vila Yolanda e na Invasão dos Bubas, considerada uma das maiores favelas do Estado.
A vulnerabilidade da região fronteiriça fica clara na quantidade de drogas que circula na cidade. Conforme o delegado, as famosas baladas são o maior alvo das operações. "Fazemos pelo menos duas grandes operações por mês e damos atenção especial para motéis e as festas raves, onde há grande circulação de drogas", detalhou. A Polícia Militar relatou que também tem aumentado o patrulhamento em locais de grande concentração de jovens para coibir crimes contra a vida.

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