Morte violenta no Brasil supera índice de países em guerra
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sábado, 01 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaPior que doençaAs mortes por causas violentas são tantas que já interferem nas estatísticas globais de vida ativa da população RIO - Os homens jovens brasileiros estão morrendo em número bem mais alto do que as mulheres nas mesmas faixas etárias, por causa da violência. Esta é a conclusão de um estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O estudo demonstra que as mortes por causas violentas no Brasil são tantas que já interferem nas estatísticas globais de vida ativa da população. Para cada grupo de 21 trabalhadores que atingem o tempo de 44 anos de vida ativa, um morre por causa não natural. Os homicídios, assassinatos e acidentes de trânsito tiram mais vidas entre a população ativa masculina brasileira do que qualquer doença. Só países que estão em guerra - e mesmo assim nem todos eles - podem exibir estatísticas tão trágicas.
Segundo o levatamento feito, para cada mulher entre 15 anos e 19 anos de idade que morreu em 1991, morreram 2,82 homens. De 20 a 29 anos, a relação é de 3,25 homem para cada mulher. Se fossem excluidas as chamadas causas externas - basicamente a violência - a expectativa de vida dos homens aumentaria em 2,25 anos, subindo de 60,44 anos aos dez anos de idade, para 62,69 anos.
De acordo com os autores do estudo (Herton Ellery Araújo, Ana Amélia Camarano, Kaizô Beltrão e Marly dos Santos Pinto), os homens jovens estão mais expostos à violência do que as mulheres. Isso, no entender deles, é mais grave na medida em que a morte apanha esta parte da população justamente no momento em que ela está no auge do vigor físico. E isso, dizem eles, está tendo efeitos importantes no mercado de trabalho. A presença cada vez mais intensa das mulheres neste mercado deve-se em parte a isso, afirmam.
Conforme o estudo, a causa de 35% das mortes de homens entre dez anos e 50 anos de idade em 1991 foi homicídio ou suicídio (não há dados que permitam separar as duas causas), 26% acidentes de transportes e 19% outros tipos de acidentes, além do efeito tardio de drogas. Dos 15 anos aos 19 anos, as causas violentas levaram 2,1 vezes mais homens à morte do que a soma de todas as causas de óbito entre as mulheres. De 20 anos a 29 anos, essa relação é de 2,2 vezes e só cai (para 1,1 vez) na faixa de 30 anos a 39 anos.
Para os autores do estudo, os 2,25 anos de vida perdidos pela população masculina são totalmetne evitáveis, pois trata-se de um problema sensível a políticas públicas setoriais.
Roleta-russa André Luiz Dutra, 17, que anteontem deu um tiro na própria cabeça ao fazer roleta-russa, morreu ontem às 2h40. O pai, Paulo Afonso Dutra, doou o rim, o fígado e as córneas do filho. Dutra havia concluído o colégio e iria fazer cursinho para, no final do ano, prestar vestibular para direito ou administração.
O ajudante geral Cícero Enio Alves Torquato, 18, foi morto a tiros durante ensaio da escola de samba Vai-Vai, na praça 14 Bis, Bela Vista (região central de São Paulo). O motivo do crime ainda é desconhecido pelos policiais do 5º DP, onde a ocorrência foi registrada. Os suspeitos não haviam sido identificados até a noite de ontem.


