Morte por câncer cresceu 50% entre mulheres
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quinta-feira, 28 de novembro de 2002
Raphael Gomide<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - As mortes causadas por câncer cresceram 50% entre as mulheres e 33% entre os homens de 1979 a 1999, aponta o Atlas de mortalidade por câncer no Brasil, lançado ontem Dia Nacional de Combate à doença pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio. De 40 casos por grupo de 100 mil mulheres no fim da década de 70, eram 60 em 1999; entre os homens, a taxa subiu de 60 para 80 a cada 100 mil pessoas. O tipo de tumor mais frequente no País é o de pulmão - causado principalmente pelo fumo. É o líder nas estatísticas masculinas e o segundo no sexo feminino, atrás apenas do de mama.
O considerável salto no número de casos, explicam os autores do trabalho, deve-se principalmente à melhoria nas condições médico-sanitárias - consequência da urbanização -, que reduziram as mortes por moléstias infecto-parasitárias e elevaram a expectativa de vida da população, aumentando as mortes por doenças crônicas. ''Essa era uma tendência esperada, semelhante à de países desenvolvidos. Uma vez vencidas as mortes por doenças infecciosas, a população envelhece e fica mais exposta aos fatores de risco'', disse a epidemeologista do Inca, Marceli Santos, para quem o aumento das notificações é outro fator a ser considerado.
As regiões mais atingidas são a Sudeste e a Sul, justamente as mais desenvolvidas e industrializadas. Os índices brasileiros, entretanto, continuam muito inferiores aos de países desenvolvidos. Na Austrália, por exemplo, a taxa é de 200 casos por 100 mil habitantes.
Os tipos mais comuns são os de pulmão, próstata, útero, mama, colo de útero, esôfago e de cólon e reto. ''Erradicar o câncer é impossível, mas um terço dos casos pode ser evitado com prevenção e outro terço pode ser tratado e curado. Já seria bastante coisa se conseguíssemos isso'', afirmou o diretor do Inca, Jacob Kligerman. O tabagismo, fator de risco para nove tipos da doença (pulmão, boca, laringe, faringe, pâncreas, bexiga, rins, colo de útero e esôfago), é o principal responsável pela grande incidência de câncer de pulmão na população, dizem os especialistas.
De acordo com Kligerman, a queda no número de fumantes brasileiros e de cigarros per capita ainda tem pequena influência nos índices apresentados hoje porque trata-se de uma doença que evolui lentamente e frequentemente demora até três décadas para se manifestar. É provável que essa redução só apareça claramente em pesquisas futuras. O crescimento da incidência desse tipo de câncer nas mulheres - 122% entre 1979 e 1999 -, exemplifica o diretor do Inca, é resultado tardio da Revolução Feminina dos anos 60, quando as mulheres passaram a fumar mais. ''Os malefícios só são verificados muito depois.''
Com 400 páginas e tiragem de mil exemplares, o Atlas destina-se a instituições de pesquisa, hospitais e governos, com o objetivo de servir para guiar políticas públicas para o setor.


