Pelo segundo dia seguido, o sistema de segurança prisional do Paraná foi sacudido por distúrbios. Depois do motim registrado segunda-feira na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), na manhã de ontem, cerca de 800 presos que superlotam a Cadeia Pública de Foz do Iguaçu, o ‘‘Cadeião’’, mataram um agente, deixaram outro gravemente ferido, balearam mais seis companheiros de prisão e agrediram outros dois. Esta é a segunda rebelião do ano na cidade e, até o fechameno desta edição, o impasse continuava.
  A rebelião teria começado por volta das 10h30 da manhã. Revoltados com a superlotação – o presídio tem 350 vagas –, alimentação ruim, supostas humilhações de visitas e com a negativa do indulto de Natal, os presos teriam tentado fugir mas acabaram tomando pelo menos quatro agentes como reféns. O agente Alcindo Jacinto Desidério foi morto com um tiro no tórax. Outro agente foi atingido por um tiro na cabeça e encaminhado em estado crítico para o Hospital Costa Cavalcanti, onde permanecia internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Um terceiro agente foi mantido durante todo o dia sob a mira de um revólver e com a cabeça encaixada entre os pilares do segundo andar do prédio. O quarto servidor foi liberado.
  Os rebelados também partiram para cima de desafetos deles dentro da unidade. Segundo o Corpo de Bombeiros de Foz, seis presos teriam sido baleados. Um deles estava em situação grave na UTI também do Costa Cavalcanti. Outros dois internos sofreram agressões generalizadas. Dois presos foram descidos por ‘‘teresa’’ – corda feita com lençóis – até o chão.
  Segundo reportagem do Jornal do Iguaçu, o juiz-corregedor da Vara de Execuções Penais (VEP), Marcelo Gobbo Daladenha, chegou ao ‘‘Cadeião’’ por volta das 14 horas para negociar com os presos e permanecia na unidade. Além dele, o Frei Camilo, da Paróquia do Morumbi, também tentava colocar fim ao impasse. Representantes do Centro de Direitos Humanos e a imprensa também estiveram na prisão.
  Enquanto isso, a tropa de choque da Polícia Militar mais policiais civis, federais e metropolitanos tentavam controlar a situação lançando bombas de gás mas permanecia do lado de fora. O fornecimento de energia elétrica e a água foram cortados. No início da noite, três presos foram capturados pela Polícia.
  Por volta das 19h30, o 14º Batalhão da PM informou que os presos estavam irredutíveis e prometiam se render apenas hoje de manhã. A Tropa de Choque permanecia de prontidão mas não tinha ordem para invadir a cadeia.
  Neste ano, os presos do ‘‘Cadeião’’ de Foz já haviam se rebelado em maio. Naquela ocasião, rebeliões simultâneas também aconteceram em outras três unidades prisionais do interior do Estado. Todas teriam sido promovidas por presos ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), fato que o governo do Estado negou. A Folha tentou contatar a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) ontem mas, como era feriado estadual, ninguém foi localizado.

mockup