A morte de quatro crianças na enfermaria do Hospital Salgado Filho, no final da semana passada, pode ter sido um homicídio culposo provocado por negligência. Essa será a linha inicial de investigação do delegado da Delegacia de Repressão a Crimes contra Saúde Pública do Rio, Augusto Medeiros de Paiva. Ele disse que, confirmado o crime, a pena para o responsável é de um a três anos de prisão. Afirmou também que não cabe a ele responsabilizar o município pelas mortes, mas os pais das crianças podem tomar essa atitude. ‘‘Nunca vi uma história como essa em 32 anos de trabalho’’, disse.
As crianças morreram em intervalo de 24 horas, sendo duas no final da noite da última quinta-feira e as demais no mesmo horário do dia seguinte. Outras duas crianças foram contaminadas, mas sobreviveram.
Tudo indica que as mortes foram provocadas pela troca de medicamentos. ‘‘Queremos saber o que esses remédios estavam fazendo ali’’, disse o delegado, apontando os 14 frascos de succinil-colin, um anestésico que pode provocar morte. Os frascos são similares aos do medicamento que seria correto (o antiinflamatório cortizonal), exceto pela diferença das cores na tampa dos frascos.
Medeiros de Paiva vai investigar também a morte de uma criança de cinco meses, que só foi divulgada ontem, mas ocorreu no dia 25 de maio em circunstâncias similares às das mortes das quatro crianças.
Aliado a essa denúncia, um outro ingrediente acrescenta mistério às mortes do Salgado Filho. O hospital é o mesmo onde trabalhava o ex-auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, que ficou conhecido como ‘‘enfermeiro da morte’’ por ter matado pelo menos quatro pacientes terminais para receber comissões de funerárias.

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