A morte do engenheiro Paulo Roberto de Andrade Silva, filho do bicheiro Castor de Andrade, pode estar relacionada a seu cunhado, Fernando de Miranda Ignácio, indicam as primeiras investigações policiais. Ignácio está foragido desde o mês passado, quando foi condenado pela Justiça do Rio a nove anos de prisão em regime fechado, por corrupção ativa.
Paulinho de Andrade foi morto a tiros às 19 horas de anteontem, quando saia de sua firma de engenharia, na Barra da Tijuca (zona sul do Rio). Tinha 47 anos. Segundo o registro policial, um homem moreno, cerca de 1,80 m de altura, vestido com camisa branca e calça jeans, atirou contra Paulinho e o segurança, Haroldo Bernardo, 51 anos. As vítimas estavam no Cherokee do engenheiro, parado em um cruzamento.
Uma linha de investigação vincula a morte de Paulinho de Andrade à irritação da cúpula do jogo do bicho com as atitudes Fernando de Miranda. Em 1994, Ignácio foi preso na sede da Polícia Civil, com uma mala de dinheiro e uma lista de policiais que recebiam propinas. Por causa da prisão, os integrantes da cúpula do jogo foram processados. Castor de Andrade, chefe máximo da contravenção, protegeu seu genro à época.
Com a morte de Castor, em 1997, Ignácio voltou a ser visado. A revolta da contravenção aumentou com o julgamento do caso, no final de setembro. Miranda foi o único réu que não compareceu. Hoje, é considerado foragido do sistema penitenciário. Os outros chefes do jogo estiveram no júri e saíram condenados. De acordo com a apuração preliminar da polícia, Paulinho de Andrade teria sido morto por se recusar a falar aos bicheiros sobre o paradeiro do marido da irmã Carmen Lúcia.
A possibilidade de o crime ter sido encomendado por Celso Luís Rodrigues da Silva, o Celsinho de Vila Vintém, também é cogitada. Celsinho fugiu da penitenciária na sexta-feira. O reduto dele é a região de Padre Miguel, onde funciona a escola de samba Mocidade Independente, controlada por Castor de Andrade e seu filho. Celsinho teria prometido matar Paulinho, apontado como o responsável pela sua prisão, em 1996.
A existência de uma ‘‘guerra entre contraventores’’ é outra hipótese para o crime. Desde a morte de Castor, quatro bicheiros do segundo escalão da contravenção foram assassinados. Para o procurador de Justiça Antônio Carlos Biscaia, que investigou os bicheiros, a polícia deveria investigar se a morte de Paulinho de Andrade tem ligações com o tráfico de armas e de drogas. ‘‘É evidente que essas mortes violentas indicam que a paz no bicho deixou de existir. Agora, acho que a morte do filho de Castor pode não ter relação apenas com o bicho, mas também com outras atividades criminais ligadas ao jogo’’, disse Biscaia.Fábio Motta/AERio violentoPoliciais e curiosos observam os corpos do engenheiro e contraventor Paulo Roberto de Andrade Silva (e), de 47 anos, filho do bicheiro Castor de Andrade e de seu segurança e motorista Haroldo Alves Bernardo, de 51 anos. Os dois foram mortos a tiros no farol da esquina das avenidas das Américas e Ministro Afrânio Costa, na Barra da Tijuca, zona oeste do RioInvestigação vincula morte de Paulinho de Andrade ao cunhado, preso em 94 com lista com nomes de policiais

mockup