A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados vai investigar o sistemático assassinato de testemunhas da atuação de quadrilhas do crime organizado no Paraná. Segundo a Promotoria de Investigações Criminais (PIC), desde a passagem da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) nacional do Narcotráfico e do Crime Organizado pelo Estado, em março, pelo menos 25 testemunhas ou envolvidos com o tráfico de drogas e os desmanches de carros foram mortos, supostamente por queima de arquivo.
Integrantes da comissão viajarão a Curitiba no próximo dia 12 para investigar o caso. Deverão ser ouvidos o procurador chefe da PIC, Dartagnan Abilhôa; o secretário de Segurança, José Tavares; deputados membros da CPI estadual do Narcotráfico e do Crime Organizado e delegados que apuram os assassinatos, ocorridos principalmente na Região Metropolitana de Curitiba.
Segundo o deputado Padre Roque Zimmermann (PT-PR), integrante da comissão, os mortos eram testemunhas formais de acusação contra quadrilhas ou integrantes delas que, presos, poderiam se tornar testemunhas em troca de benefícios como redução de pena. ‘‘Essas pessoas estão sendo mortas uma a uma’’, disse o deputado ontem à Folha, após agendar a visita a Curitiba. As quadrilhas denunciadas estão envolvidas principalmente com o narcotráfico e o desmanche de carros roubados.
O caso mais recente é o assassinato de Paulo Fernando Miranda, 19 anos, conhecido como Cristo. Testemunha-chave no processo contra Joarez Costa França, o Caboclinho, acusado de ser um dos principais comandantes do desmanche de carros roubados no Estado, Cristo foi morto no último dia 12. Dois homens encapuzados invadiram a Delegacia de Itaperuçu (Região Metropolitana de Curitiba) de madrugada, quando os policiais de plantão saíram para atender a uma suposta chamada, e mataram o preso a tiros.
Acusado de latrocínio e roubo de carros, Cristo fora recapturado, em Curitiba, no dia 9, depois de ter fugido da Delegacia de Itaperuçu em julho. Segundo a Folha apurou, a transferência dele foi ilegal, já que isso só pode ocorrer com autorização judicial.
Os delegados de Itaperuçu, Sênio Abdon Dias – que solicitou a transferência –, e do 13º Distrito Policial de Curitiba, onde a vítima estava presa, Antonio Macedo de Campos – que autorizou a remoção – estão sendo investigados por suposta conivência com a execução. Os advogados de Caboclinho, que está preso em Curitiba desde março, negam que ele seja o mandante do crime.

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