Morte de sindicalista foi vingança, afirma polícia do PA
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 24 (AE) - O chefe da Polícia Civil do Pará, João Moraes, afirmou hoje que a morte do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Parauapebas, Euclides Francisco de Paulo
foi "uma vingança" do pistoleiro conhecido apenas por "Pelezinho", que está foragido. "Não foi nada relacionado à questão fundiária", disse Moraes.
Euclides foi morto na quinta-feira passada (20) por um homem que estava numa motocicleta e levava um acompanhante na garupa. O criminoso atirou duas vezes contra Euclides e o atingiu na cabeça. Segundo Moraes, o depoimento na polícia da viúva do sindicalista, Evânia Moura Andrade, ajudou a resolver o crime.
Evânia contou que, duas semanas antes de morrer, Euclides havia dado dois tiros em Antonio Silva Santos, o "Escorpião", amigo de Pelezinho. Euclides, garantiu Evânia, havia descoberto que Pelezinho e Escorpião eram pistoleiros infiltrados em várias fazendas invadidas por trabalhadores sem-terra no Sul do Estado.
Os dois seriam suspeitos de quatro mortes misteriosas nos assentamentos Cajazeiras e Itacaiúnas. O sindicalista vinha investigando por conta própria esses crimes e já havia comunicado à polícia de Parauapebas, de acordo com Evânia, que estaria sendo ameaçado de morte pela dupla.
Dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) e Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Pará acusam, em nota oficial, a polícia de ser "omissa e conivente" com as mortes de sindicalistas no sul e sudeste do Estado. "Se a polícia sabia que Pelezinho e Escorpião são pistoleiros, porque não prendeu?", questionam.


