Agência Estado
De Brasília
O secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Paulo Castelo Branco, e o comandante da Polícia Militar, coronel Dinei Ferreira, foram demitidos ontem pelo governador Joaquim Roriz (PMDB), segundo informou o secretário de Comunicação Social, Welinton Luiz Moraes. O motivo do afastamento foi o comportamento violento da Polícia Militar na repressão a uma manifestação, anteontem, de funcionários da Companhia de Urbanização da Capital (Novacap), durante a qual um servidor foi morto e vários ficaram feridos.
O substituto de Castelo Branco é o ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) José de Jesus. O coronel Antonio Ribeiro assume o comando da Polícia Militar.
Funcionários da Novacap fizeram uma manifestação em frente à sede da empresa, em Brasília, em protesto contra a morte do jardineiro José Ferreira da Silva, durante confronto com a PM. Médicos do Hospital de Base que atenderam os manifestantes dizem ter encontrado vestígios metálicos no corpo dos trabalhadores atingidos.
Em entrevista ao programa ‘‘Bom Dia DF’’, no entanto, o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Paulo Castelo Branco, assegurou que a polícia não utilizou armas de fogo e que as balas eram de borracha. O presidente da Central Única dos Trabalhadores no DF, José Zunga, contestou a versão do secretário afirmando que a polícia agiu com violência num protesto que, segundo ele, tinha caráter pacífico.
O Ministério Público do Trabalho vai intervir no conflito entre trabalhadores e Novacap para evitar um novo confronto. Um grupo de três procuradores esteve ontem de manhã em frente à sede da estatal, onde cerca de 500 trabalhadores faziam um protesto contra a morte de José Ferreira da Silva pela PM, para monitorar a manifestação e depois intervir como negociadores do conflito. As direções da Novacap e do sindicato dos trabalhadores da empresa foram intimadas ontem de manhã para uma rodada de negociações às 16 horas.
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro, divulgou nota em que defende ‘‘a extinção imediata de todas as polícias militares do País’’, sustentando que ‘‘as PMs não têm preparo para enfrentar, civilizadamente, as manifestações populares’’.
Segundo o presidente da OAB, ‘‘a polícia militar recebe treinamento para liquidar o inimigo e não para preservar a ordem pública’’. No entender de Reginaldo de Castro, as PMs são um ‘‘braço armado do Estado que tanto serviu para manter, autoritariamente, intimidada a sociedade’’. Entretanto, como afirma, ‘‘o momento não é mais de intimidação, mas de compreensão da manifestação livre dos trabalhadores já tão sacrificados pela falta de assistência do Estado e pelo arrocho econômico’’.
Na nota, o presidente da OAB reclama a apuração rigorosa do episódio de anteontem em Brasília, ‘‘levando-se em conta que aqueles que usaram armas de fogo, seja de que natureza forem, devem ser responsabilizados pelos crimes que resultaram de sua ação’’.

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