Morte de sem-terra paraguaio aumenta tensão na fronteira
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Mauri Konig e Patrícia Iunovich, esécial para a AE 
São Paulo, 23 (AE) - O assassinato de um campesino paraguaio no fim de semana reacendeu o conflito agrário entre sem-terra do Paraguai e agricultores brasileiros na região de Puerto Indio, a 120 quilômetros da fronteira com Foz do Iguaçu, no Paraná. Os dois lados acusam-se mutuamente, um atribuindo ao outro a autoria do crime. Em represália, os sem-terra bloquearam a estrada de acesso às propriedades dos brasiguaios, como são conhecidos os produtores brasileiros.
Jorge Sanábria, de 38 anos, foi morto com um tiro na cabeça, na sexta-feira, num dos acampamentos dos sem-terra. O risco de um conflito armado é iminente. Há quatro meses, a morte de outro campesino desencadeou uma série de invasões de propriedades de imigrantes brasileiros. Ele pertencia a um grupo organizado de trabalhadores rurais e foi baleado quando tentava invadir a propriedade de Orestes Rodeski Cavalheiro. Os brasiguaios acreditam que os próprios sem-terra mataram o companheiro e querem usar o morto como bode expiatório para dissuadi-los da idéia de recuperar as terras invadidas.
Só nos últimos quatro meses, 40 famílias de brasileiros foram expulsas de suas propriedades sob ameaças de morte. Outras 20 permanecem acuadas, com medo de sair de casa. Armados com foice, facão e enxada, os sem-terra bloquearam a estrada e não permitem a circulação dos agricultores. Na semana passada o Instituto de Bem-Estar Rural do Paraguai (equivalente ao Incra no Brasil) reconheceu a legitimidade de 20 escrituras de propriedades de brasileiros que estão invadidas. Outras ainda estão sendo analisadas.
Há 15 dias o governo paraguaio anunciou que apoiaria o retorno dos brasileiros às suas terras, mas ainda não garantiu o reassentamento.


