Reali Júnior
Agência Estado
De Mônaco
A polícia monegasca continua investigando a morte do banqueiro Edmond Safra e de sua enfermeira Vivianne Torrente, apesar da confissão do enfermeiro Ted Maher, que assumiu sozinho a responsabilidade pelo incêndio que provocou as mortes. Apesar da confissão ter contribuído para banalizar o caso, muitos pontos obscuros ainda permanecem sem esclarecimento e o caso não está encerrado.
Está confirmada, por exemplo, a informação de que Safra sentia-se ameaçado pela máfia russa desde que seu banco, o Republic National Bank of New York, se interessou, em 1998, pela empresa Benex que havia aberto várias contas no estabelecimento, alimentadas por milhões de dólares transferidos da Rússia. Ontem, o jornal ‘‘Nice Matin’’ divulgou uma completa reportagem de investigação sobre a implantação da máfia russa em toda a região da Cote D’Azur.
O governo francês dispõe de informações precisas sobre o desenvolvimento das máfias do leste no seu território. Somas colossais têm sido investidas em alguns setores, especialmente na área imobiliária de luxo, tipo da residência ‘‘La Leopolda’’, a mansão do banqueiro Safra em Villefranche sur Mer, adquirida junto à família Agnelli por 100 milhões de francos (US$ 18 milhões).
Para os policiais de Nice não há dúvida de que russos e ucranianos já puseram um pé na região. Eles são ajudados por certos políticos locais que de uma hora para outra ‘‘descobriram uma certa paixão pela cultura russa.’’ Um dos setores mais visados é o imobiliário.
Dezenas de mansões foram adquiridas no departamento dos Alpes Marítimos. Cita-se como o exemplo, o Chateau de la Garoupe, em Antibes, adquirido por US$ 10 milhões, mas que vale três vezes mais. Outra residência foi comprada por 100 milhões de francos por um agente imobiliário, em nome de um russo recém chegado e amigo da família Yeltsin. Um grupo de homens de negócios russos negocia em Beausoleil, no limite da França com Mônaco, a compra de um terreno de 6.000 metros quadrados por US$ 50 milhões.
A máfia russa, segundo o ‘‘Nice Matin’’, age também no setor ‘‘import-export’’ e de perfumaria. Por isso, muitos analistas, antigos policiais, hoje consultores de empresas e bancos, julgam ingênua a versão oficial da morte do banqueiro Edmond Safra, mesmo não duvidando das declarações do enfermeiro, que afirma ter agido só, mas, muito provavelmente com cumplicidade externa.

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