Morte de rapaz causa revolta
Agência Estado
Do Rio
Moradores do conjunto habitacional Margarida, na Cidade de Deus, zona oeste do Rio, tentaram fechar a Linha Amarela, via expressa que liga as zonas oeste e norte da capital, na madrugada de ontem. Eles protestavam contra a morte de Carlos Roberto Silva, de 18 anos, baleado horas antes em um suposto confronto entre policiais e traficantes. Os manifestantes só foram dispersados com a chegada de reforço policial, quando o dia já amanhecia. Anteontem à noite, moradores de Bonsucesso, bairro da zona norte, queimaram um ônibus em protesto contra operação policial que deixou um operário baleado.
Policiais do 18º Batalhão de Polícia Militar afirmaram ter recebido denúncia anônima sobre armas e drogas no conjunto. Lá foram apreendidos um fuzil, munição, 110 trouxinhas de maconha e 27 papelotes de cocaína.
Segundo a versão policial, houve tiroteio e, por volta das 3 horas, Silva foi atingido por vários tiros e levado para o hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca (zona oeste) por duas moradoras, que não quiseram se identificar.
Quando a notícia da morte chegou aos moradores, eles se revoltaram e resolveram obstruir a Linha Amarela, que passa ao lado da favela. O 18º BPM mandaram reforço, e, segundo policiais, os manifestantes foram dispersados. A chuva forte que começou a cair também espantou os moradores. De manhã, o policiamento na Cidade de Deus foi normalizado e não houve novos conflitos.
Um ônibus da linha 680 (Méier-Penha) da empresa Transportes Campo Grande, foi incendiado ontem à noite por cerca de 300 moradores da favela de Manguinhos, em Bonsucesso (zona norte), que protestavam contra a ação policial que feriu um morador, o metalúrgico André Souza da Silva, de 19 anos. Silva foi atingido por um tiro de pistola disparado, segundo moradores, por policiais que o confundiram com um assaltante.
Revoltados, eles tentaram interromper a via pública. O ônibus foi atacado por ter tentado furar o bloqueio. Silva foi operado no Hospital Geral do Bonsucesso e não corre risco de vida. Parentes do operário acusam os policiais de o terem espancado e atirado à queima-roupa. A ação da polícia pretendia prender dois homens que assaltaram a metalúrgica onde Silva trabalha, que teriam se refugiado dentro da favela. Com medo, Silva correu para casa, perto da empresa, onde mora com a mulher e o filho. Os policiais disseram que foram recebidos a tiros ao entrar na favela. Na confusão, os assaltantes da metalúrgica fugiram.





