Morte de professora gera protesto
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sábado, 11 de abril de 1998
Agência Folha 
Professores de Jacareí, no interior de São Paulo, pretendem paralisar as aulas nas escolas estaduais da cidade na segunda em protesto contra a morte da professora Beatriz Junqueira da Silveira dos Santos. Eles vão reivindicar mais segurança nas escolas da cidade. Beatriz foi assassinada na última semana depois de ser sequestrada em frente da escola Alcina Moraes Salles. A passeata vai começar logo após uma missa, às 8h, que vai ser realizada na escola.
De acordo com o professor Evaniro Lopes de Andrade, 45, que era colega de trabalho de Beatriz, não vai haver aula em todas as escolas da cidade. A intenção é que os alunos, pais e professores participem do ato. Eles vão caminhar pelas ruas do centro até a prefeitura para tentar conversar com o prefeito Benedicto Sérgio Lencioni (PSDB).
Para a próxima quinta-feira, uma nova manifestação está sendo programada. Os professores devem ir até a Câmara Municipal para fazer um manifesto durante a sessão parlamentar. Não adianta somente fazer ronda ou deixar um guarda municipal na porta da escola. Precisamos de policiamento ostensivo, afirmou o professor e vereador Marino Faria (PT). A Polícia Civil disse que o policiamento preventivo nas escolas não é de sua responsabilidade. Ninguém do comando da Polícia Militar de Jacareí foi encontrado para comentar o caso ontem.
Para uma professora amiga da vítima, que não quis se identificar, a culpa da violência no bairro não é da polícia. Se eles colocarem policiamento em uma escola, todas as outras vão ter de receber também e as ruas ficariam desprotegidas.
No enterro de Beatriz, anteontem, o clima era de revolta e indignação. Os moradores do bairro e os alunos da escola onde a professora trabalhava pediam justiça e segurança. Segundo uma amiga de Beatriz, Alessandra Massuda, 21, a professora reclamava quase todos os dias da falta de segurança da escola. Segundo Alessandra, os professores saíam sempre em grupos devido ao medo de assaltos.
Para a mãe de Beatriz, Lenira Junqueira da Silveira, a filha foi vítima da falta de segurança na escola do bairro Igarapés. Se tivesse policiamento na escola isso não teria acontecido. A família não pretende fazer nenhum tipo de protesto. Tudo o que queríamos era Beatriz viva. Agora vamos deixar por conta da polícia, disse o irmão da professora, Rogério Junqueira da Silveira.


