Campinas, SP, 03 (AE) - O Ministério Público e a Polícia Civil de Campinas decidiram aprofundar as investigações sobre a morte do investigador Everaldo Biara Leite, ocorrida em 12 de outubro. A versão oficial da polícia diz que Leite teria se matado com dois tiros no ouvido, mas os promotores apuram a hipótese de assassinato. Não está descartada a exumação do corpo para uma nova necrópsia.
Leite, de 34 anos, foi encontrado morto em seu apartamento dois dias antes de o empresário Willian Walder Sozza prestar depoimento à CPI do Narcotráfico. Apontado como um dos chefes do crime organizado no País, Sozza teve prisão provisória decretada
mas está foragido. O Ministério Público suspeita que a morte do policial tenha sido "queima de arquivo".
Em janeiro, o investigador havia participado da apreensão de 340 quilos de cocaína num sítio em Indaiatuba. Uma semana depois
a droga foi roubada do Instituto Médico Legal (IML) de Campinas. O delegado Ricardo de Lima, responsável pela apreensão
foi preso durante os trabalhos da CPI em Campinas. Ele é acusado de ter facilitado o roubo da cocaína.
"É muito estranha a hipótese de suicídio", disse hoje o promotor Carlos Ayres. Segundo ele, um dos fatores que colocam sob suspeita a versão oficial é o fato de o policial ter recebido dois tiros na cabeça. "Além disso, os tiros foram disparados no ouvido esquerdo, mas temos informações de que ele era destro", observa.
O Ministério Público pretende quebrar o sigilo telefônico do policial para dar sequência às investigações. Os promotores também requisitaram os laudos sobre o caso realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) e Instituto de Criminalística (IC). O laudo do IC apontará se havia vestígio de pólvora na mão do investigador, o que poderá confirmar ou descartar a hipótese de suicídio.

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