Morte de marinheiro ucraniano assusta autoridades no RN
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quarta-feira, 13 de outubro de 1999
Por Juliano de Souza, especial para a AE 
Natal, 14 (AE) - A morte de um marinheiro ucraniano na terça-feira (12) à noite, em Mossoró-RN, deixou em alerta as autoridades de saúde do Estado. Volodimyr Cheropov , de 40 anos, pelo que se sabe até hoje, morreu de febre hemorrágica não especificada. Ele passou mal no dia 5, reclamou de dores no corpo e tinha febre alta.
Os autoridades consideram várias hipóteses para a morte, até mesmo contaminação pelo vírus ébola, o que foi descartado mais tarde por não ter havido sangramento. O secretário adjunto de Saúde do Estado, Antônio Araújo, especialista em doenças infecciosas acredita em febre amarela, dengue hemorrágica ou malária.O Serviço Social do Hospital Tarcísio Maia, em Mossoró, informou no início da tarde que a hipótese mais provável é de hemorragia digestiva, sem agente causador conhecido.
Cheropov servia no navio cargueiro Lokris, de bandeira maltesa, onde era 2º oficial náutico. A embarcação veio ao Rio Grande do Norte carregar sal no Porto de Areia Branca, município vizinho a Mossoró, no litoral noroeste do Estado. No dia 5 ele foi internado na maternidade Juscelino Kubitschek, em Areia Branca e transferido no dia 9 para o hospital Tarcísio Maia, em Mossoró."O mais provável é que este marinheiro tenha sido vítima da uma hepatite virótica", disse Vitor Diaz, um dos médicos que atenderam o ucraniano no Hospital Tarcísio Maia. Ao chegar ao hospital o estado de saúde do ucraniano não era considerado grave. "Soube que ele chegou à UTI na manhã da terça, 12, e morreu uma ou duas horas depois", disse Fernando Cunha, médico da Unidade de Terapia Intensiva.
O Lokris atracou em portos da Nigéria, Congo e Angola e por isso a direção do hospital decidiu enviar o corpo para Natal sem a causa mortis. A parada anterior do Lokris no Brasil foi o porto de Salvador. O corpo do marinheiro está no necrotério do Instituto Técnico e Científico de Política (Itep), em Natal. Amostras de sangue, pele e vísceras foram enviados ao Centro de Pesquisas Virais do Pará para exames. O resultado deve sair até o final deste mês.
No navio, segundo o Setor de Vigilância Sanitária do Porto de Areia Branca, nenhum outro tripulante apresentou sintomas semelhantes ao do ucraniano. O corpo somente será liberado para traslado após a identificação do vírus ou outro tipo de agente causador da doença que provocou a morte de Cheropov.


