A morte de macacos no município de Ribeirão Claro (24 km a leste de Jacarezinho), que faz divisa com cidades do Sudoeste paulista, onde pelo menos nove pessoas foram mortas por febre amarela até o final de março, intensificou as ações da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). Moradores da região afirmam ter visto nove animais da espécie bugio mortos e reclamam por não ouvirem mais os barulhos dos macacos, bastante comum principalmente na área rural. Apesar do clima de tensão estabelecido na cidade, a 19 Regional de Saúde de Jacarezinho afirma ter encontrado somente duas carcaças até o final do dia de ontem e pede calma à população.
Equipes da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e da 19Regional percorrem há dois dias as matas e áreas rurais de pelo menos oito cidades que ficam próximas à divisa com o Estado de São Paulo: Ribeirão Claro, Cambará, Jacarezinho, Carlópolis, Salto do Itararé, Santana do Itararé, São José da Boa Vista e Siqueira Campos. Além de tentar encontrar mais carcaças, os técnicos montaram armadilhas e capturaram mosquitos da espécie Haemagogus, responsável pela transmissão da febre amarela em áreas silvestres, que serão analisados para constatar se há mesmo a presença do vírus. As análises dos mosquitos e das carcaças devem ficar prontas em 20 dias, quando será possível confirmar se os animais morreram em decorrência da febre amarela.
O chefe da Divisão de Atenção à Saúde da 19 Regional, Fabrício Luciano Rocha, explicou que não há registros de febre amarela na região há pelo menos 23 anos. ''O Estado do Paraná realizou uma grande campanha em 1999 quando boa parte da população foi vacinada. Isso não quer dizer que não há possibilidade de existir a ciruclação viral da febre amarela, mas esses macacos podem ter sido infectados no Estado de São Paulo e morrido aqui'', disse. As carcaças foram encontradas na localidade de Morro Alto, próximo à Represa Xavantes.
Vacina
Rocha disse ainda que a ação da Saúde é de precaução porque ainda há muitas pessoas que não precisam se vacinar devido à dose que já teriam tomado em 1999. ''Recomendamos aqueles que não se lembram se tomaram a vacina ou não, que não tomem porque a vacina pode apresentar reações adversas''.
Desde o dia 31 de março, quando foi feita a confirmação de mortes no Estado de São Paulo pela doença, a Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Claro já vacinou seis mil pessoas. Segundo a secretária de Saúde, Ana Maria Baggio Molini, pelo menos 5% dessas pessoas já haviam sido vacinadas há menos de dez anos (prazo de validade da vacina) e foram dispensadas sem receber a dose. ''O trabalho nos postos de saúde está intenso, das 7 às 21 horas, mas acreditamos que boa parte das pessoas que ainda não tinham recebido a vacina já passaram pelas unidades'', disse.
A preocupação da 19 Regional é quanto a grande quantidade de pessoas dos municípios paulistas que têm buscado a vacina no Paraná. ''Se continuar esse grande fluxo de paulistas recebendo nossas doses podemos correr o risco de ficar sem vacinas, pois temos como base a população do nosso Estado. Como não podemos negar o atendimento à população, já pedimos mais 30 mil doses da vacina'', enfatizou Rocha. Inicialmente, haviam sido levadas até a região 50 mil doses.

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