Morte de juiz teria custado R$ 100 mil
Polícia Federal trabalha com a hipótese de que empresário Josino Guimarães, que está preso, tenha sido o agenciador da execução de Amaral
Agências Folhae Estado
De Cuiabá
O assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral teria custado R$ 100 mil aos mandantes, segundo fontes da Polícia Federal (PF). O trabalho dos agentes está centrado na busca de provas que incriminem o empresário Josino Guimarães como agenciador da execução do juiz, sequestrado em Várzea Grande Região Metropolitana de Cuiabá e encontrado morto em Concepción, na fronteira com o Paraguai. Guimarães está preso como suspeito de agenciar a contratação dos pistoleiros.
O juiz, de acordo com um delegado envolvido nas investigações, pode ter sido atraído para uma armadilha pela própria assessora, Beatriz Arias. A polícia descobriu, no rastreamento do celular de Amaral, que as últimas ligações recebidas por ele foram feitas do telefone de Beatriz, de dentro do táxi, já apreendido, no qual também estava o homem do retrato falado, identificado como Sebastião Marcos Peralta, tio da assessora. A última ligação teria sido feita por volta das 21 horas do dia 3, quando Amaral desapareceu.
Segundo agentes da polícia, os mandantes teriam mobilizado um batalhão na operação de captura e assassinato do juiz. As investigações, agora, buscam as provas que incriminam os suspeitos que, por sua vez, serão processados pelo assassinato.
Depois de concluir que o juiz foi sequestrado, os policiais foram checar os planos de vôo do Aeroporto Marechal Rondon e descobriram que no dia 4, às 5h40, o bimotor Sêneca, prefixo PT VEM, decolou para a Fazenda Liberdade, na região de Cáceres (MT), que pertenceu a Guimarães. Às 19h40, saiu outro vôo do bimotor PT LLN para o mesmo destino. Segundo um piloto de avião, todos os planos de vôo que saem em direção à região pantaneira constam como rota a Fazenda Liberdade.
As prisões temporárias de Peralta e Beatriz foram decretadas ontem pelo juiz federal Jéferson Scheneider. Os dois estão desaparecidos. Familiares de Amaral confirmaram que o juiz confiava em Beatriz. As outras duas pessoas que estão com prisão preventiva decretada são o empresário Josino Guimarães, detido em Cuiabá, e ex-policial militar Maurício Marques Viveiro, preso em Ponta Porã (MS) por porte ilegal de armas.
Contra Guimarães pesa uma denúncia anônima. O empresário estaria fugindo de Cuiabá com R$ 100 mil, recebidos como pagamento pela morte de Amaral. Guimarães foi um dos denunciados pelo juiz à CPI do Judiciário de intermediar a venda de sentenças realizada por integrantes do Tribunal de Justiça (TJ).
O empresário negou ontem qualquer participação no crime e disse que nunca viu Amaral, além de afirmar que ia ao TJ apenas para vender consórcio de tratores para desembargadores.
DNAO Centro de Assessoria Pericial da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vai realizar exames de DNA (código genético) em ossos e dentes do juiz Leopoldino Marques do Amaral. O material (um fêmur, um úmero e dentes inteiros) deve chegar na segunda-feira à Faculdade de Odontologia da Unicamp, em Piracicaba (170 km de São Paulo). Os exames foram solicitados pelo Tribunal de Justiça de Cuiabá (MT) e devem ficar prontos em, no mínimo, dois meses.





