Londrina - A morte de uma adolescente de 15 anos que cumpria medida socioeducativa no Centro de Socioeducação (Cense) de Maringá (Noroeste) desencadeou um protesto conjunto de educadores nas 18 unidades de ressocialização do Estado.
A morte está sendo investigada por uma sindicância interna da Secretaria Estadual da Família e Desenvolvimento Social. A hipótese mais provável é que a adolescente tenha cometido suicídio por enforcamento. É a segunda morte na unidade em 10 meses. Em 2011, outro adolescente foi encontrado morto nas mesmas condições.
A coordenadora de socioeducação da secretaria, Claudia Foltran, considerou o episódio ''absolutamente lamentável'' e ''uma fatalidade''. De acordo com a coordenadora, os servidores dos Censes são qualificados e ''estão atendendo de forma adequada'' os adolescentes de todas as unidades da rede.
Ontem, em assembleias realizadas em todas as regiões do Estado, o Sindicato dos Servidores da Socioeducação (Sindsec-PR) deflagrou estado de greve, mas ainda não há previsão de paralisação.
Segundo o presidente do sindicato, Mário Monteiro, as principais reivindicações são aumento do número de educadores e técnicos, além de mais segurança nos centros.''Temos um quadro extremamente reduzido. Faltam condições de trabalho e o mínimo de segurança aos servidores'', justificou.
No Cense II, na Rodovia João Alves da Rocha Loures (acesso ao distrito de Maravilha), na Zona Sul, houve uma manifestação no portão de entrada. Os educadores instalaram faixas pedindo mais segurança e lembravam da morte da adolescente em Maringá. Eles paralisaram as atividades escolares durante a tarde.
O mesmo tipo de protesto ocorreu em todas as unidades. ''Estamos aqui para mostrar nossa solidariedade e nossa indignação. Temos a informação que a adolescente sentia falta da presença de educadores, já que lá só há profissionais homens exercendo esta função'', disse o educador social Paulo Vilela, de Londrina. Ele estima que o deficit de educadores sociais na unidade seja de 30%.
De acordo com a coordenadora Claudia Foltran, já há uma proposta de aumento no número de educadores sociais elaborado pela Secretaria da Família. A proposta está sendo analisada pela Secretaria de Planejamento. ''Precisamos da abertura de um concurso público com urgência. Hoje temos 700 educadores para cuidar de um contigente de mais de 1,2 mil internados. Se contarmos a alternância de turnos, folgas e férias, chegaremos a conclusão que precisaríamos de pelo menos o dobro de educadores'', afirma Mário Monteiro, que trabalha numa unidade em Curitiba.

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