Morte de idoso não foi provocada por vacina, diz laudo
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 21 (AE) - Laudo do Instituto Adolfo Lutz, divulgado hoje pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, conclui que a morte do aposentado Luiz da Silva, de 74 anos, no dia 14 em Americana, não foi causada pela vacina contra a febre amarela. A família suspeitava que Silva pudesse ter sido a segunda vítima do imunizante na cidade. No dia 27 de fevereiro a costureira Kate Cristina Ramos, também de Americana, morreu em consequência da vacina, conforme exames feitos pelo Adolfo Lutz.
O documento afirma que o aposentado morreu de "infecção bacteriana generalizada". O laboratório chegou a essa conclusão depois de examinar o histórico sobre a evolução do quadro clínico do paciente e fazer análises anatomo-patológicas em amostras retiradas do corpo de Silva. "O óbito não teve qualquer associação com a vacina contra a febre amarela", garante o laudo.
A conclusão foi recebida com desconfiança pela família de Silva. "Não sabemos até que ponto podemos confiar nos órgãos públicos", disse o fisioterapeuta Dilson Belmuder da Silva, filho do aposentado. Ele disse achar estranho esse resultado, já que Silva começou a passar mal depois de ser vacinado. "Será que se o exame fosse feito por um laboratório particular o resultado seria o mesmo?", questiona.
Silva começou a passar mal seis dias depois de receber a vacina no posto de saúde central, em Americana, durante a campanha de vacinação em massa promovida pela Secretaria Estadual de Saúde. Segundo a família, ele foi internado apresentando infecção generalizada, comprometimento de pulmões, rins e fígado, além de gânglios pelo corpo e feridas na pele. "Ele estava bem de saúde e o quadro evolui muito rapidamente", disse o fisioterapeuta. Segundo o atestado de óbito, a morte foi causada por falência múltipla dos órgãos e pneumonia bilateral.
Inconformada, a família registrou boletim de ocorrência e exigiu exames para esclarecer a morte. Segundo o fisioterapeuta, as autoridades de Saúde de Americana só concordaram em fazer os exames depois de muita insistência. "Ninguém queria fazer a necrópsia", conta. "Tivemos de pedir ajuda à polícia para conseguir um legista", completa.
A costureira Kate Cristina Ramos, de 22 anos, morreu no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cinco dias depois de ser vacinada. Segundo o laudo do Instituto Adolfo Lutz, foram encontrados vestígios do vírus vacinal em todas as víceras da paciente. Os exames também revelaram que Kate não apresentava nenhuma patologia anterior à vacina. Não há, na literatura médica, registro de outros casos semelhantes no mundo.


