A notícia da morte do humorista Bussunda, por infarte, lotou os consultórios de cardiologistas esta semana, em Londrina. Mas especialistas alertam: melhor que procurar um médico apenas diante de uma tragédia, é se prevenir dos fatores de risco.
Os cardiologistas Evander Botura e José Eduardo Siqueira foram alguns dos médicos que viram aumentar o movimento no consultório depois da morte do humorista. ''Sempre que há uma tragédia dessas, todo mundo procura se consultar, mas a cultura deveria ser de prevenção'', alerta Siqueira.
Segundo Bottura, todos deveriam fazer o primeiro eletrocardiograma por volta dos 20 anos, para que esse exame sirva de parâmetro, se algum dia houver alteração no coração. Também é importante, segundo o médico, que se conheça os níveis de colesterol, triglicérides e açúcar no sangue, mesmo se a pessoa for magra.
Hoje a atenção da medicina está voltada para a circunferência abdominal aumentada, o que visivelmente era o caso de Bussunda. Acima de 80 centímetros em mulheres e 94 em homens, e combinada com hipertensão, colesterol elevado e alta taxa de açúcar no sangue, o resultado é a síndrome metabólica, que aumenta os riscos de diabetes, infarto e acidente vascular cerebral (derrame). ''A obesidade do tipo maçã é a mais nociva, pois a gordura produz hormônios que elevam a pressão arterial e atrapalham a ação da insulina'', explica Botura.
Evitar ou reverter a síndrome metabólica, segundo os especialistas, passa por hábitos de vida saudáveis - prática de atividades físicas, dieta com pouca gordura, alimentos industrializados, açúcares e carboidratos, não fumar e fazer revisões médicas periódicas.''Mesmo com todo arsenal de exames, não se consegue descobrir tudo, por isso é tão importante a prevenção'', destaca Siqueira.
Também é importante, se a pessoa está no grupo de risco, conhecer os sinais de um evento cardiovascular, para procurar imediatamente socorro médico. ''Cerca de 30% dos pacientes de infarto morrem sem chegar ao hospital'', alerta Botura. O sinal ''clássico'' é a dor na região do peito, que nem sempre aparece. Também pode haver falta de ar, sudorese fria, dor nas costas, no braço ou próximo ao estômago, tontura, palidez e enjôo.

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