Morte de fiscal da Zona Azul completa um mês
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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 

"Até hoje as pessoas perguntam sobre o ocorrido e só de falar dá uma sensação ruim, uma tristeza". A fiscal da Zona Azul Cristiane Noguti, trabalhou esta semana próximo ao local onde a colega de trabalho Ellen Cristina de Oliveira, 34, foi atingida por um tronco de árvore.
Ela conta que um mês após o ocorrido, ainda há motoristas que comentam o assunto ao estacionarem na região. Na tarde do dia 18 de dezembro, Ellen Oliveira trabalhava em um trecho do Bosque Central, na avenida Rio de Janeiro, quando foi atingida por um galho que caiu de aproximadamente 10 metros de altura.
Ela sofreu um trauma fechado no abdômen, passou por cirurgia na Santa Casa, mas não resistiu a um quadro de hemorragia e morreu na manhã do dia 19 de dezembro. O supervisor da Zona Azul João Vagner Batista também foi atingido, mas sofreu apenas escoriações no rosto.
A família fala da dificuldade em retomar a rotina, especialmente a irmã Aline Regina de Oliveira. "Ela era minha única irmã e minha melhor amiga. Este primeiro mês está sendo muito difícil. A saudade está doendo muito", desabafa. Ao ser questionada sobre a pretensão de acionar a Justiça, ela respondeu que "dinheiro nenhum irá trazer minha irmã novamente". Além dos amigos, pais e irmã, Oliveira deixou um filho de dois anos e cinco meses.
"É muito fácil descrever minha irmã. Ela era uma pessoa educada, paciente, compreensiva, generosa, uma mãe incrível. Era muito difícil vê-la estressada ou com a cara fechada. Muito pelo contrário. Ela estava sendo sorrindo", lembra.
No trabalho, Oliveira se tornou uma grande amiga de Meiriely Nazé dos Santos. As duas se conheceram quando Nazé ingressou no monitoramento do estacionamento rotativo, há cerca de oito meses. "Tem horas que pareço não acreditar que ela se foi. Passo por lugares que passamos juntas e logo vem a imagem dela. A parte mais difícil está sendo no trabalho, pois muitos ainda tocam no assunto e de manhã, olho para o cantinho onde a Ellen ficava e agora ela não está mais lá", lamenta.
ALERTA
A tragédia deixou em alerta alguns trabalhadores em torno do Bosque. A fiscal da Zona Azul Noguti conta que entre um atendimento e outro, busca abrigo longe das árvores. "Quando chove ou está ventando o medo aumenta", diz. Um taxista que pediu para não ser identificado, conta que procura se precaver ao máximo. "Quando venta, não fico debaixo das árvores. A gente nunca sabe quando uma fatalidade dessa pode acontecer", comenta.
Sema estuda terceirizar serviço de poda
No dia da morte de Oliveira, em 19 de dezembro de 2017, a Sema (Secretaria Municipal do Ambiente de Londrina) informou à FOLHA sobre a realização de um levantamento para erradicação de árvores condenadas no Bosque. Segundo a secretária do Ambiente, Roberta Silveira Queiroz, o levantamento já foi inciado por um engenheiro agrônomo e um biólogo. No entanto, ela afirma que o tempo chuvoso tem dificultado o trabalho.
"O levantamento das áreas de risco foi iniciada na cidade como um todo, com foco nas áreas de grande circulação. No Bosque, as árvores estão sendo avaliadas constantemente para definição das que necessitam de poda", afirma. De acordo com a secretária, com os dados em mãos, um licenciamento ambiental deverá ser solicitado ao IAP (Instituto Ambiental do Paraná), já que o Bosque é considerado uma área de preservação permanente.
"Ainda não há uma data precisa para o corte específico de árvores do Bosque, até porque, tem sido dada uma manutenção frequente nas árvores do local. A Sema tem recebido uma quantidade expressiva de chamados para recolhimento de galhos, erradicação de árvores, entre outros, por conta das fortes chuvas que vem ocorrendo desde novembro de 2017", acrescenta.
Pela demanda, a secretária informa que a prefeitura estuda a possibilidade de contratar uma empresa para auxiliar na demanda. Queiroz ainda falou sobre a relação de chuvas com quedas de galhos e troncos. De acordo com ela, a queda de galhos e árvores ocorre naturalmente devido ao próprio ciclo de vida de cada espécie. "O aumento das chuvas intensifica o processo, uma vez que o encharcamento de galhos e troncos, o encharcamento do solo e a ocorrência de ventos, propicia o aumento deste tipo de ocorrência", explica. (M.O.)


