Morte de estudante pode estar associada à vacina contra a febre amarela
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Carolina Brígido, especial para a AE 
Brasília, 31 (AE) - O estudante Marcelo Baeta, de Brasília, morreu quarta-feira em São Paulo, no Hospital Oswaldo Cruz, para onde foi transferido com meningoencefalite, uma inflação na meninge e no cérebro provocada por vírus. Ele havia tomado a vacina contra a febre amarela, mas somente em dez dias será possível afirmar se a morte foi causada, ou não, pelo imunizante.
A doença pode até ter sido provocada pelo imunizante, mas um dos médicos da equipe de Brasília que atendeu Baeta, Nasser Allan, diz que "não há nada no momento que contra-indique a vacinação de febre amarela". Cerca de dez dias depois de tomar a vacina, Baeta começou a sentir o corpo fraco e dores nas pernas e na cabeça.
Se os sintomas foram causados pela imunização, o mais provável é que o problema não esteja no lote de vacinas, mas na aceitação do organismo do paciente. Essa é a tese defendida pelo secretário da Saúde do Distrito Federal, Jofran Frejat. "Ele tomou a vacina do mesmo lote dos meus filhos, que não tiveram nada", conta.
O secretário disse ainda que Baeta estava gripado quando tomou o imunizante, o que não é recomendado pelos especialistas. "Qualquer vacina pode causar reação", explica Nasser Allan, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília. Esse efeito colateral pode ser observado, além dos casos de imunodeprimidos, nos pacientes medicados com corticóides, nos alérgicos a ovo e nas gestantes. Pessoas enquadradas nessas situações não devem tomar a vacina.
Perigo - Apesar desses casos excepcionais, a recomendação é que se continue tomando a vacina. "A febre amarela tem uma taxa de mortalidade muito elevada", lembra o médico de Baeta. Nasser acredita que a reação do paciente à vacina é uma explicação pouco provável - embora não afastada - para a morte. Ele argumenta que 1,3 milhão de pessoas foram vacinadas em Brasília, dos quais apareceram apenas 6 ou 7 casos suspeitos de reação.
O quadro clínico de Marcelo Baeta melhorou consideravelmente no sábado. À noite, no entanto, quando os médicos providenciavam a alta do paciente da UTI, Baeta começou a ter convulsões e foi encaminhado na manhã de domingo para o Hospital Oswaldo Cruz, onde ficou internado até morrer.
O especialista em epilepsia Wagner Afonso, um dos membros da equipe brasiliense responsável pelo caso, disse que os médicos estão perplexos. Nasser comentou: "Tenho 20 anos de neurologia e nunca vi algo assim."


