Recife, 29 (AE) - Nem mesmo o funeral do arcebispo emérito de Olinda e Recife, dom Hélder Câmara, o "Dom da Paz", conseguiu dar trégua aos conflitos existentes entre os seus seguidores - da chamada ala progressista da igreja - e o arcebispo que o substituiu, dom José Cardoso Sobrinho, conservador. Responsável pelo desmonte de toda a estrutura instalada por dom Hélder nos seus 21 anos de arcebispado e que permitia o funcionamento de uma pastoral popular, Dom José foi vaiado pouco antes da missa de corpo presente, ontem (28) à noite, na Igreja da Sé, em Olinda, e durante o velório, na Igreja das Fronteiras, no Recife
viu todos os padres progressistas presentes se retirarem do local. Também nas Fronteiras, ele sentiu o desagrado dos fiéis quando, na intenção de se pronunciar, fez um gesto para as pessoas pararem de cantar e elas aumentaram o tom da voz.
"Nada foi organizado e nada foi ostensivo", afirmou o frei Aloísio Fragoso, que era amigo e colaborador de dom Hélder. "Não houve confronto." Esperava-se, porém, resistência por parte da ala progressista se dom José presidisse a missa de corpo presente do religioso. O Vaticano achou a forma de contornar a situação, mandando o núncio apostólico no Brasil, álfio Rapsarda, para cumprir tal tarefa.
A fim de marcar posição, os progressistas já definiram realizar um ato ecumênico, no sábado, em memória de dom Hélder, com a participação das comunidades eclesiais de base que foram desestimuladas na sua ação pelo atual arcebispo. Na avaliação dessa ala, a arquidiocese está pastoralmente paralisada, sendo necessário manter vivo o pensamento e a prática de dom Hélder.

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