Jerusalém, 29 (AE-AP) - A morte de uma popular cantora por aids e seu esforço para esconder seu estado do público geraram um forte debate em Israel sobre o direito à privacidade e o desconforto que a doença ainda causa entre os israelenses.
Ofra Haza morreu na quarta-feira passada de falência dos órgãos, depois de ter permanecido 13 dias internada no Hospital Hashomer, de Tel Aviv. Os médicos que trataram a cantora se recusaram a dizer o que a levou à essa condição. Entretanto, o jornal Haaretz afirma, em uma reportagem publicada ontem (28), que ela morreu de complicações causadas pela aids.
A manchete "Ofra morreu por vergonha" reverberou através do país. Vários jornais e fãs especulam agora que se ela não temesse uma publicidade negativa e tivesse se tratado no início da doença, talvez a diva israelense, de 41 anos, não tivesse morrido na semana passada.
Oficialmente, menos de 3.000 israelenses são portadores do HIV, o vírus que causa a aids. Apesar de uma recente campanha realizada pelo Ministério da Saúde, vários israelenses ainda tratam a doença com preconceito.
Aviram Germanovich, que lidera o Comitê de Guerra Contra a Aids em Israel, afirma que muitos israelenses portadores do vírus sentem-se estigmatizados. "A maioria das pessoas que eu conheço que tem aids esconde o fato, além de sentir medo e vergonha".
Haza saiu de um bairro pobre de Tel Aviv para se transformar na primeira estrela de música internacional de Israel, misturando antigas poesias judaicas com o som de música eletrônica.
Em contraste com sua movimentada carreira internacional, Haza conseguiu manter em segredo sua vida privada em Israel. Como prova, seu casamento há dois anos com o empresário Doron Ashkenazi só foi noticiado depois de ocorrido. A pedido da cantora, sua família se recusou a fornecer qualquer informação sobre sua doença enquanto ela estava no hospital.