O Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba ainda não pode anunciar a causa da morte dos paranaenses Teodoro de Lima, 77 anos, e Belarmino Moura, 73 anos, que tinham câncer de próstata e tomaram comprimidos de Androcur falsificado. A Shering do Brasil, que produz o medicamento, alertou em março que o lote 351 que vinha sendo comercializado não fora produzido em seus laboratórios e era, portanto, falso.
O HC comprou no ano passado 22 mil comprimidos de Androcur, do lote falsificado 351. O hospital está avisando 90 pacientes que podem ter tomado o remédio falsificado e os chamando para uma revisão do quadro clínico. Moura, por exemplo, teria consulta em agosto.
No caso de Lima, o HC informa que o paciente teve uma broncopneumonia e que pode ter morrido por causa da doença, embora essa broncopneumonia possa ter sido causada por complicações do câncer. O diretor em exercício do HC, Júlio Wiederkher, disse que, além do Androcur falsificado, Lima tomou outras três caixas de remédios verdadeiros, e também passou por outros tratamentos alternativos. ‘‘O câncer de próstata é maligno, mas tem progressão lenta’’, diz Wiederkher. ‘‘Se houvesse uma evolução da doença por causa do medicamento falso, seriam necessários meses ou anos sem tomar nada.’ O HC espera o laudo do IML, que ainda não tem previsão para sair, para ser conhecida a causa da morte de Lima.
O lote falsificado foi identificado na primeira semana de março pela farmácia do HC. Na segunda semana, a Shering do Brasil notificou o HC verbalmente. Na terceira semana, a Vigilância Sanitária foi avisada. No dia 16 de março, foi instaurado um processo na Consultoria e Procuradoria Jurídica da Universidade Federal do Paraná. Em 7 de maio, o processo foi encaminhado para a Promotoria Pública da Polícia Federal. Para evitar as falsificações, o HC está exigindo controle de qualidade, certificado de procedência do fornecedor e termo de responsabilidade, mesmo que este não seja o fabricante.

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