Morte após progressiva gera situação de cautela
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quarta-feira, 28 de março de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Usar ou não formol para alisar os cabelos? Uma semana depois da morte de uma dona de casa em Porangatu (446 km de Goiânia-GO), a polêmica sobre o uso da substância extrapolou os limites dos salões de beleza. E ficaram as dúvidas.
Em Londrina, uma cabeleireira da região central da cidade, que preferiu não se identificar, afirmou que não vai mais oferecer a escova progressiva às clientes e vai desmarcar as sessões que já tem agendadas.
Apesar de usar produtos com a concentração de formol permitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é de 0,2%, ela alega que não quer correr o risco de qualquer alergia ser creditada ao tratamento. ''Eu sei o produto que estou usando no cabelo da cliente, mas e se der alguma coisa? E se aparecer alguma coisinha, uma 'bolinha' e ela achar que é por causa da escova progressiva? Queira ou não, você fica assustada. Não vou correr esse risco'', afirma.
O dermatologista Airton Gon, de Londrina, explica que existem duas situações. A primeira é o uso de produtos com concentração de formol acima do permitido e a outra reação alérgica de pessoas sensíveis (veja texto nessa página).
Como a substância tem alto poder de alisamento é adicionada em ''preparados caseiros'' em dosagem acima do permitido. ''Tem cabeleireiros que fazem o produto no próprio salão'', confirma a cabeleireira citada acima.
Em alta concentração, o formol, assim como qualquer outro produto químico, pode causar reações graves. ''O efeito tóxico é maior, a pessoa pode ter queimaduras graves no couro cabeludo e o cabelo cair'', afirma o dermatologista. Em contato com pele e olhos, a substância pode causar irritação, vermelhidão e dor.
A Anvisa ainda alerta para os riscos de queimaduras no couro cabeludo, edema pulmonar e irritação no aparelho respiratório, que podem levar à morte. Alguns estudos também apontam o formol como agente cancerígeno em situações de exposição prolongada. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), quando absorvido por inalação, há risco de aparecimento de câncer na boca, narinas, pulmão, sangue e cabeça. Os riscos são tanto para quem usa o produto, quanto para quem aplica.


