Mortalidade três vezes maior
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - A taxa de mortalidade da gripe A (H1N1) é pelo menos duas a três vezes superior à da sazonal. Porém, metade das vítimas já sofriam de outras doenças antes de serem contaminadas pelo vírus. A avaliação foi conduzida por cientistas franceses e divulgada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, que acaba de concluir o primeiro perfil completo da nova doença, quatro meses depois da eclosão dos casos nos Estados Unidos e México.
Embora seja mais virulenta que a sazonal, a gripe suína ainda mais branda que o vírus que gerou a Gripe Espanhola em 1918 e que matou 40 milhões de pessoas no mundo.
Segundo o estudo, de cada mil pessoas contaminadas, entre quatro e seis não resistem ao vírus H1N1. Isso representaria uma letalidade de 0,4% a 0,6%. Já na Gripe Espanhola, a taxa de letalidade era dez vezes maior à da gripe suína.
O perfil ainda mostra que mais da metade dos casos de mortes - 51% - ocorreram com pessoas entre 20 e 49 anos e que os grupos afetados não são os mesmos vulneráveis à gripe sazonal. Quarenta e nove por cento dos mortos já sofriam de outros problemas de saúde antes de ser contaminados.
A avaliação foi feita em julho com dados de 28 países de todo o mundo, inclusive com os casos registrados no Brasil. A variação entre continentes, porém, é considerada significativa. Em alguns países, a taxa foi significativamente superior à média mundial. No México, ela chegou a 6% nos três primeiros meses. Na Argentina, foi 4,5% entre maio e julho.
Uma das conclusões é a comprovação de que diabéticos e obesos de fato têm mais chances de não sobreviver ao vírus. O que o estudo também revela é que nem crianças nem idosos estão entre os grupos de maior risco, como foi inicialmente indicado. Apenas 12% dos mortos até agora tinha mais de 60 anos. Noventa por cento dos óbitos geradas pela gripe sazonal ocorrem em pessoas com mais de 65 anos de idade. Por ano, entre 250 mil e 500 mil pessoas morrem no mundo de gripe sazonal.


