Mortalidade por aids cai 37,9%
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 10 (AE) - A mortalidade por aids no Brasil caiu 37,9% entre 1995 e 1997, segundo dados divulgados hoje pelo Ministério da Saúde. Há uma tendência de queda entre as mulheres
mas em velocidade menor do que entre os homens, fenômeno que está sendo estudado no mundo. "Mulheres infectadas e nas mesmas condições que os homens adoecem e morrem mais rápido", disse o coordenador do Programa de Aids, Pedro Chequer.
Em 1995, foram notificados 15.254 mortes por aids no Brasil. Em 1996, o número caiu para 13.100. No ano passado, foram 9.473 mortes. Em 97 não foram computados os dados do Amazonas, Sergipe, Espírito Santo, Maranhão e Minas Gerais, mas, segundo o diretor do Programa, o grande impacto nas estatísticas vem dos dois Estados com maior concentração de casos, Rio de Janeiro e São Paulo.
Com a queda, a aids passou de segundo para o quarto lugar no ranking das causas de morte entre a população de 20 a 49 anos. Chequer atribui a redução da mortalidade ao programa de distribuição gratuita de medicamentos, entre eles o coquetel (a terapia tríplice de anti-retrorvirais) contra a aids, e à assistência médica aos doentes na rede pública.
Notificações - Entre dezembro do ano passado e março deste ano foram notificados pelo ministério 10.224 casos de aids. Destes, 5.861 foram diagnosticados em 1998 e 99. Os demais são casos de anos anteriores. A cidade com maior índice da doença continua sendo São Paulo, com 23% do total de 155.590 casos acumulados desde 1980.
Mulheres - Comparando 1995 com 1996, o governo aponta que a taxa de mortalidade entre homens caiu 15,16 para 14,43 óbitos para cada grupo de 100 mil habitantes. Entre as mulheres, houve um aumento pequeno, de 4,53 em 1995 para 4,81 em 1996. "Embora tenha havido este pequeno crescimento, a tendência da mortalidade entre mulheres também é de queda", disse Chequer. "Mas essa queda vem acontecendo a uma velocidade menor."
Chequer informa que entidades como o Centro de Controle de Doenças (CDC) norte-americano e instituições de pesquisa da Europa estão avaliando se as diferenças fisiológicas ou imunológicas entre os sexos poderia justificar a fragilidade maior das mulheres. "O fato é que a mulher com a mesma carga viral que o homem e tratada do mesmo modo tem resposta terapêutica, mas fica doente mais rapidamente", disse. No Brasil, segundo Chequer, o problema aumenta porque a população feminina geralmente demora mais a procurar o médico para fazer o diagnóstico.
Preservativos - O governo iniciou a compra de dois milhões de preservativos femininos, que começam a ser distribuídos em outubro, inicialmente para mulheres de baixa renda e profissionais do sexo. A autonomia para proteger-se, acredita Pedro Chequer, poderá ser uma grande arma para evitar a infecção do sexo feminino pelo vírus da aids. "Embora esteja mudando, ainda há uma idéia de que a aids está ligada a grupos sociais determinados", explicou o diretor do Programa de Aids.


