A mortalidade materna registrou uma queda expressiva no mundo nos últimos 25 anos, mas apenas nove países alcançaram as metas da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta área, segundo um estudo publicado ontem pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O Brasil foi um dos países que tiveram redução significativa nos óbitos mas que não conseguiram atingir a meta prevista pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), aprovados no ano 2000.
O relatório mostra que no fim de 2015 a mortalidade materna global terá registrado uma redução de 44% na comparação com o nível de 1990, abaixo da meta que era de 75%. Atualmente, a taxa de mortalidade materna é de 216 mortes para cada 100 mil nascimentos, contra o índice de 385 mortes para cada 100 mil partos em 1990.
O Brasil conseguiu reduzir pela metade (50,7%) os casos de mortalidade materna nos últimos 25 anos. No período, a taxa caiu de 140 mães por 100 mil nascidos vivos, em 1990, para 69 mães por 100 mil nascidos vivos em 2014, segundo os últimos dados disponíveis. No entanto, a meta estabelecida até o fim deste ano pelos ODM era chegar a uma taxa de 35 mortes por 100 mil nascimentos, ou 75% do total. As duas principais causas diretas específicas de morte materna no Brasil são a hipertensão e a hemorragia, que correspondem a 19,7% e 11% do total de óbitos maternos, respectivamente.
Conforme o estudo, publicado simultaneamente na revista médica britânica The Lancet, 303 mil mulheres em todo o mundo morreram em 2015 em consequência de complicações durante ou depois da gravidez, no parto ou nas semanas posteriores. As complicações durante a gravidez ou o parto representam a principal causa de óbito entre as adolescentes na maioria dos países em desenvolvimento.
Apenas nove países (Butão, Cabo Verde, Camboja, Irã, Laos, Maldivas, Mongólia, Ruanda e Timor Leste) conseguiram alcançar a meta da ONU. Outras 39 nações registraram progressos significativos. "É um progresso enorme, mas os progressos são desiguais no mundo porque 99% das mortes acontecem nos países em desenvolvimento", afirmou Lale Say, coordenadora do departamento de saúde genética da OMS.
Os maiores avanços aconteceram no leste da Ásia, com uma redução de 72% da mortalidade materna entre 1990 e 2015. A África Subsaariana continua sendo a região mais afetada, com 66% dos casos (duas mortes em cada três), segundo a OMS. Apesar do número, a situação na região melhorou e a taxa de mortalidade caiu 45% em 25 anos (de 987 mortes para 546 a cada 100 mil nascimentos). Nos países desenvolvidos, a mortalidade materna caiu 48%.
Apesar dos avanços, a ONU estabeleceu uma nova meta: menos de 70 mortes para cada 100 mil nascimentos até 2030. (Com France Presse)

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