Curitiba - O índice de mortalidade infantil no Paraná tem caído ano a ano. Em 2001 foi de 17,4 mortes para cada mil nascidos vivos, 10,3% menor do que o coeficiente registrado no ano anterior que era de 19,4/mil. Mas, apesar de estar dentro dos parâmetros considerados ideais pela Organização Mundial da Saúde (20/mil), o Estado tem situações extremas. Enquanto Londrina registrou coeficiente de 11 mortes por mil nascidos vivos em 2001, o menor do Estado, outros municípios como Adrianópolis, na Região Metropolitana de Curitiba, têm coeficientes que correspondem às regiões mais pobres do País. Lá, a mortalidade infantil no ano passado foi de 68,49 mortes/mil nascidos vivos.
Entre as cidades que historicamente aparecem entre os menores índices de mortalidade infantil do Paraná está Maringá. Em 2001, foi registrado o coeficiente de 11,5 mortes para cada mil nascidos vivos. Curitiba tem registrado reduções a cada ano, de 14,9/mil em 2000, foi para 13,7/mil no ano passado. Entre as 22 regionais de saúde, as quatro melhores situações foram constatadas em Londrina, Cianorte, Toledo e Maringá. As piores regionais foram as de Guarapuava, Paranaguá, Telêmaco Borba e Pato Branco.
No Paraná, em 66% dos casos, a morte dos bebês acontece nos primeiros 28 dias de vida. A causa mais comum, em 56% dos óbitos, são as afecções perinatais. De acordo com o diretor de Vigilância e Pesquisa da Secretaria Estadual da Saúde, Nereu Henrique Mansano, são questões ligadas à prematuridade, problemas respiratórios no bebê, atendimento pré-natal, ao parto e ao recém-nascido. Em segundo lugar, aparecem as malformações congênitas com 18%, que são de difícil prevenção. Em terceiro lugar, como causa de mortalidade infantil no Paraná, estão as doenças no aparelho respiratório (7%) e, em seguida, as infecciosas e parasitárias (5%), ambas dizem respeito a atenção básica à saúde, isto é, diagnóstico e tratamento precoces, vacinação e até saneamento básico.
A diretora de Sistemas de Saúde da secretaria, Márcia Huçulak, conta que um dos fatores mais preocupantes no Paraná é a gravidez na adolescência, que corresponde a 22% dos partos. ''A gestação na adolescência é de risco, pois envolve uma série de questões ligadas ao desenvolvimento do organismo da mãe e geralmente o parto acontece prematuramente'', explica. Neste caso, é importante, segundo ela, que os agentes de saúde façam a chamada busca ativa da gestante, trazendo-a para fazer o pré-natal e acompanhando de perto todo o processo até que o bebê complete um ano.
''Não basta ter equipamentos de UTI Neonatal, se não houver todo esse trabalho preventivo de identificação de situações de risco e atendimento adequado'', diz Márcia. Ela lembra o caso do bebê de 22 dias que acabou morrendo em Maringá sem conseguir leito na UTI. A mãe do bebê, segundo Márcia, tinha 16 anos e desmamou precocemente o bebê, substituindo o leite materno por leite em pó comum e farinha de arroz, produtos inadequados à alimentação de recém-nascidos. O bebê teve uma gastroenterite, mas teria sido atendido duas vezes no posto de saúde com tratamento de doença respiratória e mandado de volta para casa. ''O fato de a mãe ser muito jovem, pobre, sem informações, sem relação matrimonial estável e viver numa área de periferia deveria ter despertado para o risco de vida daquele bebê'', avalia.

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