Curitiba, 05 (AE) - Balanço divulgado hoje pela Pastoral da Criança, em Curitiba, revela que os índices de mortalidade infantil no País estabilizaram, levando-se em conta os números das cinco regiões administrativas. O trabalho refere-se ao primeiro trimestre deste ano. Os dados apontam que, no primeiro trimestre de 1998, havia, em média, 14 óbitos por mil crianças menores de um ano acompanhadas pela entidade. Este ano, o índice ficou em 13,7 mortes por mil crianças nascidas vivas. A pastoral acompanha permanentemente cerca de 1,4 milhão de crianças menores de seis anos de idade em 3.105 municípios em todos os Estados.
Esse número representa, segundo Zilda Arns, da entidade, 8,3% de todas as crianças brasileiras nessa faixa etária. "Se levarmos em conta que a Pastoral da Criança acompanha exclusivamente crianças pobres e miseráveis, veremos que os índices alcançados pela entidade são ainda mais importantes", disse. Ela calcula que a média nacional de mortalidade, incluindo as crianças não atendidas pela pastoral, está em torno de 35 óbitos no primeiro ano de vida por mil nascidos vivos. Os últimos dados do Unicef e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são de 1997 e indicam uma taxa de 37 mortes por mil nascidos vivos.
Os índices apurados pela pastoral e todos os dados relativos à saúde, estado nutricional e desenvolvimento integral das crianças serão encaminhados à Presidência da República e autoridades públicas, sociais e religiosas. Regiões - Analisando-se as regiões do País, o Sul registrou a maior queda, caindo de 11 para 8,3 mortes por mil nascidos vivos. Já o Centro-Oeste apresentou aumento no índice de mortalidade, pulando de 9 para 11,8 mortes por mil nascidos vivos; enquanto na região Sudeste este número subiu de 10 para 12 mortes. O Estado de São Paulo teve um aumento de 6 para 11,7 mortes por mil nascidos vivos, comparando-se o primeiro trimestre de 98 com o mesmo período deste ano. A coordenadora da pastoral acredita que o aumento no índice de mortalidade infantil no Sudeste está vinculado ao desemprego e à alta taxa de migração.
"Supomos que essas sejam as causas, embora não haja pesquisa sobre isso", disse. "Nessas situações, a criança é quem mais sofre". Normalmente, o quadro de mortalidade infantil é mais grave nas regiões Norte e Nordeste, em razão da seca e do analfabetismo. Na pesquisa deste ano, porém, o Norte subiu de 13 para 13,2 mortes, enquanto o Nordeste baixou de 19 para 18,1. Os problemas perinatais, como baixo peso, prematuridade ou parto infeliz, foram responsáveis por 24,9% das mortes registradas, seguidos das infecções intestinais (14,9%) e das infecções respiratórias (13,8%).
A Pastoral da Criança, organismo de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reúne atualmente cerca de 130 mil voluntários, que fazem o acompanhamento das crianças e mães. O Ministério da Saúde é o principal financiador, tendo destinado no ano passado 79,26% dos pouco mais de R$ 11,8 milhões recebidos. "Vamos procurar fazer parcerias com prefeituras e empresários para ajudar a acabar com a exclusão social, o que só se consegue com um desenvolvimento local integrado e sustentável", disse a coordenadora.

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