Mortalidade infantil cai 10% no Paraná
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sexta-feira, 20 de maio de 2016
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
O sorriso da pequena Ana Clara da Silva, de apenas 2 meses, é comemorado a cada dia pela mãe Ligia Maria Rodrigues. A auxiliar de serviços gerais teve uma gestação considerada de médio risco pelos profissionais de saúde. O pré-natal foi realizado na rede pública de saúde e Ligia contou com o auxílio de profissionais do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). "Por causa da asma, a gestação foi considerada de médio risco. O pessoal do posto de saúde fez o encaminhamento para lá e a equipe me atendeu muito bem. Eles pediram vários exames", contou aliviada.
No entanto, nem todos os profissionais da saúde a atenderam como deveriam. "Uma vez, em um posto de saúde, me disseram que eu poderia perder o bebê por falta de oxigênio, mas que se o bebê morresse, morreu", disse, sem identificar o profissional. Por sorte, os demais integrantes da equipe fizeram os encaminhamentos necessários para evitar o óbito.
Em 2015, a taxa de mortalidade infantil no Paraná foi de 10,9 para cada mil bebês nascidos vivos, uma redução de 10% em comparação com 2010. Naquele ano, a taxa era de 12,2 para cada mil nascidos vivos no Estado. Desprezar as queixas das gestantes é uma das causas que podem resultar na morte do bebê, segundo a coordenadora do programa Rede Mãe Paranaense, Márcia Huçulak. "Temos muitos problemas de conduta profissional, de gente que não valoriza os relatos das gestantes. Uma gestante que faz um pré-natal com uma equipe que não está atenta pode ter um parto prematuro, por exemplo, desencadeado por uma infecção urinária que poderia ser tratada. Doze por cento dos partos são prematuros. É um índice alto", alertou. No ano passado, 1.758 bebês morreram em todo o Paraná antes de completar 1 ano de vida.
A taxa de 2015 é a menor já obtida no Estado. Conforme Márcia, um índice de 72% da mortalidade infantil ocorre até os 28 dias de vida. São bebês que muitas vezes nem chegam a deixar o hospital. "Isso é consequência do parto prematuro ou de outras condições da hora do parto. Reduzir a mortalidade no pós-natal é simples, com orientações de higiene, por exemplo, e hábitos de vida. Já no pré-natal depende muito da qualidade da atenção primária e da capacitação da equipe", lembrou Márcia.
No início do programa Rede Mãe Paranaense, em 2012, o índice de mortes que poderiam ser evitadas estava em 80%. Atualmente, a média é de 60%, segundo Márcia. Em Londrina, esse índice chega a 25%. Em média, 160 mil crianças nascem por ano no Paraná.
Ao todo, 130 hospitais do Estado integram a rede e receberam recursos para a compra de equipamentos e investimentos estruturais. Para a coordenadora, a queda na taxa de mortalidade infantil se deve também à parceria com as prefeituras. "O governo conseguiu imprimir na atenção primária um padrão de atendimento materno-infantil. O pré-natal não era rotina em todos os municípios. Isso significa um padrão na abordagem das gestantes. Demos uma guinada em termos de qualidade", comentou. A meta para 2017 é obter uma taxa de mortalidade infantil abaixo de 10. "Temos ainda muito a evoluir, mas essa ação precisa ser integrada."


