Enquanto nos Estados Unidos e Europa, a mortalidade dos casos de câncer vem diminuindo gradativamente, no Brasil, ela ainda é crescente. O alerta é do oncologista Carlos Barrios, de Porto Alegre, feito durante o Simpósio Regional de Oncologia da Bayer Schering Pharma. O evento, realizado em Florianópolis, na última semana, reuniu mais de 300 profissionais de saúde do Brasil e das Américas Central e do Sul.
A razão para tal diferença, segundo ele, vem da falta de políticas mais contundentes de prevenção, da falta de um diagnóstico precoce, e do menor acesso da população brasileira às novas tecnologias terapêuticas. ''Lá as pessoas são educadas para procurar o médico quanto têm algum problema de saúde e quanto mais cedo, mais fácil tratar'', avalia Barrios, citando a previsão de que, nos próximos 30 anos, 100 milhões de pessoas no mundo vão morrer só por doenças relacionadas ao uso de cigarro. ''O de pulmão é a principal causa de morte entre os cânceres. E a mortalidade entre os casos de câncer de mama, segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), continua aumentando no Brasil. Educação é fundamental para mudar esse panorama'', acrescenta.
A prevenção e o diagnóstico precoce, segundo o especialista, são fundamentais para diminuir a mortalidade das neoplasias. O câncer de fígado, por exemplo, quinta causa de óbito entre os cânceres. Segundo o oncologista André Cosme de Oliveira, médico assistente do Serviço de Transplante de Fígado do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em apenas 20% dos casos a doença atinge um fígado normal. Nos outros 80%, a doença tem origem em casos de hepatite B e C, cirrose e alcoolismo.
''Os índices desse tipo de carcinoma (no fígado) estão aumentando nos últimos 20 anos'', alerta Oliveira. Ele ressalta que a doença, se não é assintomática, apresenta poucos sintomas, como emagrecimento, icterícia (pele e olhos amarelados) e barriga d'água. Diagnosticado tardiamente, o câncer já está em fase avançada, quando o tratamento pode exigir um transplante, indicado em apenas 30% dos casos e que pode exigir uma espera de seis meses a um ano.
A atual tecnologia, que já apresenta resultados positivos, e pode revolucionar o tratamento do câncer, é a chamada terapia-alvo. O oncologista Cid Gusmão, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa em Câncer (IBPC), explica que o objetivo dessa terapia é atingir não todas as células indiscriminadamente, mas apenas aquela que está fora de controle, e agir diretamente sobre o tumor, sem tantos efeitos colaterais. Isso acontece por meio de substâncias que atuam em duas frentes - diminuindo a proliferação das células cancerosas, o que retarda o crescimento do tumor, e impedindo a formação de vasos sanguíneos tumorais, que levam sangue, e consequentemente oxigênio, ''alimentando'' o tumor.
''O acesso a essa medicação não é cara só no Brasil, essa é uma questão que preocupa o mundo inteiro, mas a diferença é a alocação de recursos para a saúde. Então, é preciso que a sociedade inteira (no Brasil) se mobilize e decida onde os recursos devem ser alocados'', avalia Gusmão. As novas drogas não curam o câncer, mas poderão fazer com que ele se torne uma doença crônica, como o diabetes, por exemplo, passível de tratamento.
* A jornalista viajou a convite da Bayer Schering Pharma

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