Morros são ocupados pela PM no Rio
Agência Estado
Do Rio
A Polícia Militar ocupou ontem os morros da Coroa e da Mineira, ambos na zona norte do Rio, por causa da guerra entre traficantes que causou 12 mortes na madrugada de domingo. Em um beco do Morro da Mineira foram encontradas marcas de sangue que, segundo a PM, poderiam ser de outras pessoas mortas ontem. Até o final da tarde de ontem nenhum corpo havia sido encontrado no local.
A Polícia Militar só entrou nos dois morros ontem porque considerou que, no domingo, não havia condições favoráveis para a ocupação. Os policiais encontraram no Morro da Mineira cassetetes e uniformes da PM. A ocupação não tem data para terminar. Nós já havíamos ocupado uma parte da favela em abril e foi só a polícia sair para recomeçar a guerra, disse o comandante-geral da PM, coronel Sérgio da Cruz. Desta vez, policiais estão em todo o morro e vão continuar o tempo que for necessário para dar tranquilidade à população local.
Apenas dois dos corpos encontrados no domingo foram identificados: Moisés Souza da Silva, que levou um tiro na cabeça e morreu no Hospital Souza Aguiar, no centro, e Walkir Corrêa do Nascimento, apontado como chefe do tráfico do Morro da Coroa, que foi deixado na porta da 6ª Delegacia Policial, Cidade Nova. Cinco corpos foram encontrados em um táxi no bairro da Saúde e outros cinco no morro de São Carlos - dois em uma lixeira e três arremessados de uma pedreira. Todas as vítimas foram identificadas por moradores como sendo habitantes do Morro da Mineira. Segundo a PM, o fato de ninguém ter ido identificar os dez corpos indica que eles poderiam ser de traficantes.
O secretário estadual de Segurança, coronel Josias Quintal, disse ter sido surpreendido pela ousadia dos traficantes, que espalharam os corpos das pessoas mortas no tiroteio de anteontem. A concorrência entre morros sempre existiu, mas essa exposição dos corpos mostrou que os traficantes estão cada vez mais audaciosos, disse Quintal. Esse caso merece um tratamento excepcional por parte da polícia, que deverá efetuar um número de prisões correspondente.
Segundo denúncia anônima, as 12 pessoas seriam integrantes da cúpula do tráfico no Morro da Mineira e teriam sido mortos a mando do traficante Altair Domingos Ramos, preso há seis anos no presídio de segurança máxima Bangu 1, na zona oeste do Rio. Ramos foi destituído do comando do tráfico por um grupo novo, que não estaria repassando parte do faturamento com a venda de drogas para o antigo líder.
Ainda de acordo com a denúncia, os autores dos disparos que vitimaram as 12 pessoas teriam chegado à favela da Mineira em carros e depois deixado os corpos em locais diferentes da região para não chamar a atenção da polícia. Além dos já encontrados, outros quatro corpos teriam sido incendiados e seus restos depositados em uma caçamba de lixo.





