Dois dos três pacientes suspeitos de apresentarem complicações após terem recebido dipirona sódica injetável morreram no último final de semana. Um menino de quatro anos e um aposentado de 71 anos estavam internados em estado grave em hospitais de Londrina mas não resistiram. A Secretaria Municipal de Saúde descartou a coleta de material nos dois casos sob argumento de que tal medida não ajudaria no esclarecimento da suspeita. Um lote do medicamento foi interditado no município.
O menino Fernando Higuchi Batilana, de 4 anos, foi transferido de Prado Ferreira (PR) para Londrina no dia 15 e estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica no Hospital Evangélico. Durante a semana, a Secretaria Municipal de Saúde chegou a anunciar a morte cerebral da criança mas o óbito foi registrado oficialmente na tarde de sábado. A Folha apurou que os pais não teriam permitido a realização de necropsia. A reportagem tentou ouvir os familiares mas ninguém quis dar declarações. Fernando entrou em coma enquanto era medicado com dipirona sob a forma injetável - de um lote diferente do que foi interditado em Londrina - num hospital de sua cidade natal.
O aposentado Manoel Apolinário da Silva, 71 anos, estava internado na UTI da Santa Casa desde o dia 17 e faleceu na tarde de domingo. O pernambucano morava sozinho em um pensionato na rua Belém e nunca teria feito comentários sobre a existência de parentes, segundo o dono da pensão, Mauri Moreira. Ele foi sepultado na manhã de ontem.
A diretora de epidemiologia e informações à saúde da Secretaria Municipal, Simone Garani Narciso, informou que nos dois casos não foram coletadas amostras de vísceras para análise. ''Não havia nenhum tipo de material específico que pudesse confirmar ou não a suspeita de intoxicação pela medicação'', comentou. Simone completou que em relação à Silva havia ainda a suspeita dele ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) e ele era hipertenso e fazia uso de outro medicamento.
A Secretaria preferiu aguardar os resultados dos exames que serão realizados pelo Laboratório Central do Estado (Lacen), que está analisando 120 ampolas do lote de dipirona sódica interditado pela Vigilância Sanitária na semana passada.
Continua sendo acompanhado um terceiro paciente - um idoso de 81 anos - que também entrou em coma após ser medicado com dipirona sódica injetável. Ele está internado na UTI do Hospital Universitário (HU).

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