Rio de Janeiro, 06 (AE) - Vítima de câncer do estômago, morreu hoje o vereador Lysâneas Maciel (PDT-RJ). Maciel, que completaria 73 anos no próximo dia 23, estava internado desde fins de setembro, na Casa de Saúde São José, no Humaitá, zona sul.
O corpo do vereador será velado no Palácio Pedro Ernesto. O enterro será realizado amanhã, às 16h, no cemitério São João Batista. Ele era casado com Regina Moura Carijó Maciel e tinha três filhos.
Mineiro da cidade de Patos de Minas, Maciel formou-se em Direito pela Faculdade Nacional do Distrito Federal (atual UFRJ). Deputado federal em 1970 pelo MDB, foi reeleito em 1974 com mais de 100.000 votos.
Por causa da sua atitude corajosa - fazia discursos contundentes contra a o regime militar - , foi escolhido por jornalistas políticos do Congresso, como um dos dez melhores deputados federais.
Em 1975, fundou o grupo Autênticos do MDB. Acabou tendo o seu mandato cassado em 1º de abril de 1976. Maciel foi o último parlamentar cassado pelo AI-5.
No exílio, integrou a Comissão dos Direitos Humanos e Refugiados da ONU. Quando retornou ao Brasil, concorreu à eleição para o governo do estado do Rio de Janeiro pelo PT, mas perdeu para Leonel Brizola. De 1982 a 1985 afastou-se da política. Voltou em 86, quando se filiou ao PDT e acabou se elegendo deputado constituinte.
Maciel sempre foi um defensor dos Direitos Humanos. Por conta disso, manteve, durante toda a sua vida, correspondência com personalidades da vida política européia. Ajudou a organizar várias campanhas no exteriror. Junto com o prêmio Nobel da Paz, bispo Desmond Tuto, participou, em 1989, de uma comissão da ONU que percorreu o mundo buscando apoio para a luta contra o Apartheid e pela libertação de Nelson Mandela.
Em 1996 candidatou-se a vereador do Rio. A sua cadeira na Câmara será ocupada pelo vereador Pedro Porfírio (PDT) que já substituía o vereador durante a sua licença por causa da doença. Porfírio também assumirá a liderança do partido na Câmara dos Vereadores.

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