Brasília, 15 (AE) - Morreu na madrugada de hoje, em consequência de hemorragia pulmonar, um dos quíntuplos nascidos sábado (12), em Brasília. Sarah foi a quarta a nascer e pesava três1.030 quilo. Os outros quatro bebês - um menino e três meninas - continuam internados na UTI do Hospital Materno-Infantil de Brasília. Eles são acompanhados por uma equipe de 25 médicos. Os bebês são Marta, Rebeca, Ester e Davi.
Ester, que pesa apenas 860 gramas, está em pior estado. Segundo o diretor da UTI do hospital, o neonatologista Paulo Roberto Margotto, a menina respira com a ajuda de aparelhos. "Seu quadro inspira mais vigilância do que os demais", disse Margotto. Os outros três bebês "encontram-se em estado crítico, mas estável". De acordo com o médico Mauro Proença Bacas, os recém-nascidos sofrem de membrana hialina, doença que atinge os pulmões e dificulta a respiração.
Gravidade - De acordo com boletim médico, assinado pela médica Joseleide de Castro,os quatro bebês são pacientes graves. A médica explica que, apesar da estabilidade do quadro clínico, as crianças podem apresentar complicações a qualquer momento, como ocorreu com Sarah. Os bebês estão recebendo antibióticos e hoje começaram a ser alimentados com leite humano. A "fase de risco" para crianças prematuras, disse, é até os 28 dias de vida.
"As crianças têm chances de sobreviver", avaliou o neonatologista Paulo Margotto, ao classificar como "satisfatório" o quadro clínico apresentado pelos bebês até o final da tarde. Segundo o médico, prematuros que nascem pensando menos de um quilo têm 70% chances de sobreviver. Já acima desse peso o índice de mortalidade cai para 45%.
O pai das crianças, Clidonor Lima dos Santos Neto, de 27 anos, que sobrevive com um salário mínimo (R$ 136,00), ficou desolado com a morte de Sarah. Ele recebeu a notícia às 8h da manhã, quando ia para o cartório registrar os filhos. "A morte dela foi como se tirassem um pedaço de mim", afirmou Cliodonor, na porta da UTI do hospital. "Mas os médicos fizeram tudo para salvar a menina", reconhece.
"Foi a vontade de Deus", disse a dona de casa Linda Mar Miranda Alves da Silva, de 39 anos, mãe das crianças, quando informada pelo marido da morte de Sarah. Segundo Clidonor, Linda ficou muito chocada inicialmente, mas se conformou depois. "Agora, vamos torcer para que os outros bebês sobrevivam", disse, esperançoso, o pai dos quíntuplos. Hoje a família recebeu 50 pacotes de fraldas e alimentos.

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