Morre Tomasso Buscetta, mafioso arrependido
Roma, 04 (AE-AP) - Tommaso Buscetta, um dos primeiros grandes da máfia a oferecer evidências contra a organização criminosa em julgamentos, incluindo o famoso caso "conexão pizza" nos Estados Unidos, morreu. Ele tinha 71 anos.
Buscetta morreu de câncer no domingo nos Estados Unidos, informou hoje (04) seu advogado Luigi Ligotti. Buscetta estava sob o programa de proteção de testemunha dos Estados Unidos.
Nascido em Palermo, Sicília, Buscetta tornou-se uma testemunha estatal italiana em 1984, depois de ter sido preso no Brasil sob acusação de assassinato e extraditado para a Itália. Um vez que decidiu falar, ele o fez por 45 dias seguidos, revelando alguns dos maiores segredos da máfia, inclusive suas supostas relações com a classe política italiana.
Buscetta mudou mais tarde para os Estados Unidos onde recebeu uma nova identidade sob o programa de proteção de testemunha dos EUA.
Na década de 80, no julgamento da "conexão pizza" em Nova York, Buscetta testemunhou contra 22 pessoas acusadas de contrabandear US$ 1.65 bilhão em heroína para os Estados Unidos. A droga foi supostamente vendida através de uma rede de pizzarias no nordeste e meio-oeste americanos.
Buscetta testemunhou que havia tido muitas conversas no Brasil em 1982 com um dos acusados, Gaetano Badalamenti, que foi condenado por administrar uma rede internacional de drogas e sentenciado a 30 anos de prisão em Nova York.
Buscetta também viajou diversas vezes para a Itália nos anos 80 e 90 a fim de testemunhar em vários casos, incluindo dois processos contra o sete vezes primeiro-ministro Giulio Andreotti.
O ex-premier foi acusado em dois casos separados de ter mandado matar um jornalista bisbilhoteiro e de oferecer favores à máfia em troca de votos. Ele foi inocentado das duas acusações no ano passado.
Buscetta casou três vezes e teve diversos filhos.





