Morre sem-terra ferido em confronto
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quinta-feira, 04 de setembro de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Morreu ontem um dos sem-terra feridos no confronto na Fazenda Coqueiro, em Foz do Jordão (115 km ao sul de Guarapuava), e mais um segurança da fazenda, pertencente à Trombini Florestal, foi detido. Sandro Fernandes Pereira, 29 anos, teria escondido as armas usadas no confronto com os sem-terra que tentaram entrar na propriedade na manhã da última terça-feira. Na ocasião, o sem-terra Paulo Brasil foi morto a tiros. O delegado de Guarapuava responsável pelas investigações, Juraci Lopes de Souza, aguardava, no final da tarde de ontem, que a Justiça validasse o pedido de prisão preventiva do suspeito.
A cerca de dois quilômetros do local do confronto, escondidos no mato, a polícia encontrou uma espingarda calibre 12, duas Winchester e um revólver calibre 38. Segundo o delegado, há suspeita de que as armas apreendidas sejam ''frias'' (sem documentação).
Juraci Souza informou que até agora nove seguranças caso seja confirmada a prisão de Sandro Pereira e um sem-terra foram presos. O segurança Nelson Cristiano Gonçalves Correia, 30 anos, que está internado no hospital Policlínicas, também deverá ser detido assim que tiver alta.
Ontem, o sem-terra Pedro Brasil, 52 anos, teve alta do Hospital Santa Clara, em Candói (76 quilômetros a oeste de Guarapuava). A Polícia Militar havia informado que ele também seria preso quando deixasse o hospital, mas pelo que a Folha apurou, ele saiu em liberdade.
O sem-terra baleado na cabeça no confronto com os seguranças, Anaro Lino Vial, 52 anos, que estava internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Vicente, em Guarapuava, morreu na tarde de ontem.
O delegado tomou depoimento de testemunhas que não são ligadas ao MST e nem à fazenda e que teriam presenciado o confronto. Ele disse que existem indícios quanto aos responsáveis pelo início do tiroteio, mas preferiu não revelar detalhes antes de concluir as investigações.
A Folha não conseguiu falar ontem com o delegado de Imbituva, Robson Cézar da Silva Barreto. Ele passou a tarde tomando depoimento de testemunhas no caso de denúncias de extorsão por dois supostos integrantes do MST. Eles teriam pedido dinheiro ao dono de uma fazenda do município em troca de impedir uma suposta invasão por famílias que estariam acampadas em Ortigueira. O advogado do produtor rural que intermediou a negociação com os dois homens, que se apresentaram como João Carlos e Lima, Fernando Deneka, disse que o delegado pediu a quebra de sigilo do telefone celular usado pelo suposto estelionatário e deverá prosseguir as diligências em Curitiba, hoje.


