São Paulo - Com cansaço, tristeza e resignação. Foi assim que terminou a trágica história da família Cortellini, cujo epílogo foi o enterro, ontem à tarde, de Amador, 68, comerciante aposentado que, menos de 30 dias antes, havia matado, com um tiro no peito, o filho mais novo, Rodrigo, 26, que seria viciado em drogas e ameaçava os pais. Amador morreu quinta-feira à noite, em consequência de complicações cardíacas.
No dia 30 de março, ele tinha atirado no peito de Rodrigo, depois de uma briga na qual o rapaz teria tentado atingi-lo com uma cadeira. Ex-estudante de direito, Rodrigo estaria envolvido com drogas havia dez anos, disse, então, o pai, que teria chamado ele próprio a polícia. Em seu depoimento, Amador alegou que o tiro foi acidental. Foi preso e, dois dias depois, solto por ser réu primário, ter residência fixa e a saúde debilitada. Antes mesmo do ocorrido, já sofria de problemas que o levaram a receber uma válvula cardíaca artificial.
Amador Cortellini deixou a mulher Sofia Vizzoto Cortellini, 59, e dois outros filhos, Alexandre, 34, e Cláudia, 38. No processo que apurava o assassinato de Rodrigo, havia sido anexada uma carta assinada por 23 vizinhos do aposentado, que afirmavam conhecê-lo há mais de 20 anos, diziam que ele era uma pessoa ''idônea, de conduta exemplar e altamente estimada'' e que sabiam de sua ''luta incessante'' para salvar o filho das drogas.

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