Morre o playboy Jorginho Guinle
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sexta-feira, 05 de março de 2004
Agência Estado 
Rio- O ex-milionário Jorginho Guinle, símbolo do refinamento e um dos primeiros divulgadores do Rio no exterior, morreu na madrugada de ontem, aos 88 anos, em uma suíte do Hotel Copacabana Palace, em Copacabana, zona sul do Rio. Ele teve um aneurisma na aorta abdominal.
Jorginho estava em companhia de uma enfermeira e funcionários do hotel, onde chegara no dia anterior, a convite da administração, após deixar o Hospital de Ipanema. Internado na segunda-feira, com arritimia, desnutrido e desidratado por causa da doença, teve alta após ter se recusado a passar por uma cirurgia delicada.
Incensado pela sociedade carioca, especialmente nas décadas de 30, 40 e 50, e que calculava ter gastado cerca de US$ 20 milhões em viagens, festas e presentes para as atrizes mais cobiçadas de Hollywood, como Rita Hayworth, Marilyn Monroe e Romy Schneider, foi enterrado no cemitério São João Batista, em Botafogo, às 11h40, no jazigo da família. Não houve velório.
O enterro demorou apenas 20 minutos e o corpo foi acompanhado por um grupo pequeno, de 30 pessoas. Apenas duas coroas de flores foram enviadas: uma da direção do hotel Copacabana Palace e outra da empresa de aviação Varig e do grupo que apresenta o espetáculo Constellation, no Teatro da Arena Café Pequeno, que relata momentos da vida de Jorginho.
Considerado um playboy, na melhor acepção do termo, ou seja, um homem culto, requintado, bem relacionado e que se orgulhava de nunca ter trabalhado na vida, Jorginho disse, antes de sair do hospital, que se último desejo era passar uma noite no Copacabana Palace, hotel que o seu tio construiu e que frequentava desde os 7 anos.
Ele chegou ao local por volta das 14 horas de quinta-feira, foi recebido com flores, frutas e um milk-shake de baunilha com calda de caramelo, especialidade que ele costumava pedir ao maitre Ronaldo. Foi hospedado em uma suíte de frente para a piscina, no anexo do hotel, cuja diária custa R$ 1.300.
Apesar da vida de bon vivant, o primo de Jorginho, Eduardo Guinle, disse que ele fez um trabalho fundamental: divulgou a imagem do Rio no exterior. ''O Jorge foi um dos grandes responsáveis pela internacionalização da cidade, pois viajava muito e convidava muitos artistas para vir aqui'', disse, observando que, com a morte do primo, morre também uma parte importante da cidade. ''Ele foi um dos últimos símbolos de charme, elegância e educação de um Rio mais tranquilo, mais civilizado. Ele amou o Rio tanto quanto as mulheres que teve''.
No enterro, a ex-mulher Yonita Salles Pinto, com quem teve a filha Georgiana, destacou: ''Jorge é uma lenda. Amou muito esse Rio de Janeiro e deixou uma imagem de alegria. Ele foi felicíssimo. Ele morreu no lugar que mais gostava. Se todo mundo tivesse morrido como ele, morreria feliz''.


