Rio de Janeiro - O jurista e imortal da Academia Brasileira de Letras Evandro Lins e Silva morreu ontem, às 5h45, aos 90 anos, vítima de traumatismo craniano. Ele estava em coma desde quinta-feira passada , depois de cair em frente ao Aeroporto Santos Dumont. O advogado chegou a ser submetido a duas cirurgias, mas não resistiu. O prefeito Cesar Maia decretou luto de três dias.
Lins e Silva viajou a Brasília, na semana passada, para um almoço em sua homenagem oferecido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que o nomeara integrante do Conselho da República. O jurista, que foi aposentado compulsoriamente como ministro do Supremo Tribunal Federal pelo Ato Institucional número 5, em 1969, voltou ao Rio emocionado com a homenagem.
''Ele estava comentando como estava feliz com a nomeação, quando se desequilibrou e caiu'', contou o filho Carlos Eduardo Lins e Silva, que acompanhava o pai. O jurista tentava subir o canteiro central que divide as pistas em frente ao aeroporto. O chão estava úmido por causa da chuva e ele acabou caindo de costas. Lins e Silva bateu fortemente a cabeça e fraturou o crânio.
O advogado foi socorrido por uma ambulância do aeroporto e levado às pressas para o Hospital Municipal Souza Aguiar. Uma tomografia computadorizada revelou que havia um edema no cérebro do jurista. Os médicos decidiram operá-lo para a drenagem do hematoma.
Do Souza Aguiar, Lins e Silva foi transferido para a Clínica São Vicente, onde passou por nova cirurgia para aliviar a pressão intracraniana. A partir daí, Lins e Silva entrou em coma e não despertou mais.
''Sempre achei que meu pai fosse imortal. Essa foi a grande surpresa que ele nos pregou'', comentou Carlos Eduardo. O filho de Lins e Silva contou que seu pai estava escrevendo três livros. Um deles era a continuação das suas memórias. Outro sobre a vida do advogado criminalista Evaristo de Morais e o terceiro era uma coletânia de temas de direito.

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