Rio - Um dos pioneiros do movimento de luta contra a discriminação racial no Brasil, o ator, diretor, dramaturgo e político Abdias do Nascimento morreu ontem no Hospital Federal dos Servidores, no Rio de Janeiro, aos 97 anos. A família e o hospital não informaram a causa da morte.
Perseguido pela ditadura, precisou deixar o País no fim dos anos 60 e, depois de voltar ao Brasil, engajou-se na militância partidária, pela legenda do PDT, tendo sido deputado e senador. Sempre que tinha oportunidade, denunciava a situação de inferioridade social dos negros brasileiros. Abdias morreu após cerca de um mês de internação.
Nascido em Franca (SP) em 1914, Abdias é considerado responsável pela criação do Teatro Experimental do Negro (TEN), atuante no Rio de Janeiro de 1944 a 1968 e considerada a primeira companhia teatral brasileira aberta a promover a inclusão do artista afrodescendente.
Foi deputado federal de 1983 a 1987 e senador da República de 1997 a 1999, ligando-se fortemente ao Movimento Negro Unificado (1978). Em 2006, em São Paulo, instituiu o dia 20 de novembro como a data oficial da consciência negra. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Brasília. No ano passado, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz.

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