Londrina - Morreu na madrugada de ontem no Hospital Evangélico de Londrina o médico urologista Lauro Brandina, primeiro a realizar um transplante de rim no Paraná, em 10 de junho de 1973, no centro cirúrgico do Hospital Universitário. Com 76 anos, Brandina estava internado havia um mês em decorrência de problemas cardíacos e de uma pneumonia.
Amigo e sócio de consultório, Frederico de Carvalho Fraga conta que o colega não estava fazendo cirurgias, mas continuava atendendo consultas normalmente. "Era uma pessoa muito dinâmica e estudiosa. Fica o exemplo de um médico que sabia dar atenção correta aos pacientes e todo o suporte aos colegas", afirmou.
Em entrevista concedida à FOLHA no dia 6 de junho de 2013, Brandina contou que veio para Londrina passar três meses, mas acabou ficando por toda a vida. Poucos dias antes de comemorar os 40 anos da cirurgia que inseriu a cidade no mapa da medicina avançada, ele fez questão de dividir o mérito com os colegas. "Foi o trabalho de uma grande equipe. Todos, sem exceção, devem ser lembrados por este feito. Eu era apenas um dos 25", disse.
O receptor do rim foi Egídio Ramazotti, operário de uma fábrica de tijolos diagnosticado com insuficiência renal crônica. Tinha 26 anos e viveu por 34 anos com o rim do irmão, João, três anos mais velho e que na ocasião se deslocou de Rondônia para doar o órgão. Ramazotti morreu em 2007 em decorrência de um problema cardíaco, superando em nove anos a expectativa de sobrevida de um receptor. A equipe de Brandina já realizou mais de 1,5 mil transplantes.
O urologista foi cremado ontem, às 17 horas, no Crematório Allamandas. Ele deixa a mulher, Tereza Cristina, e três filhos: Gilberto, Ricardo e Renato.

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