São Paulo, 02 (AE) - Morreu hoje (02) em Nova York, aos 78 anos, Mario Puzo, autor do best-seller O Poderoso Chefão, filmado por Francis Ford Coppola. O escritor teve uma parada cardíaca em sua casa, em Long Island.
Puzo fez enorme sucesso com a saga da família Corleone, principalmente por causa de sua bem-sucedida adaptação para o cinema. Ganhou dois Oscars como roteirista, pelo primeiro Chefão, de 1972, e por sua continuação, Chefão 2, realizada dois anos depois.
Mario Puzo deixou pronto um novo livro, Omertá, cujo lançamento é previsto para julho do ano 2000. Mais uma vez escreve sobre seu assunto predileto, a máfia italiana e suas atividades nos Estados Unidos.
Omertá, palavra do vocabulário mafioso, significa a estrita observância de uma lei de silêncio que, quebrada, implica a morte do infrator.
Puzo sabia sobre o que escrevia. Nasceu em Nova York, filho de um imigrante italiano analfabeto e cresceu num meio em que as atividades do crime organizado se mesclavam simbioticamente às do mundo legal.
Depois de lutar na 2ª Guerra Mundial, resolveu tornar-se escritor. Começou vendendo contos policiais ordinários para revistas idem. Mas queria ir além. Em 1955 publicou seu primeiro romance, The Dark Arena. Em seguida, escreveu um retrato autobiográfico sobre a vida dos imigrantes, que não chegou a sensibilizar os leitores. Vendeu pouco.
Em 1969 mudou de rumo e acertou em cheio. Criou a violenta (porém terna) família Corleone e estourou em vendas. O livro, The Godfather (literalmente, O Padrinho, mas no Brasil traduzido como O Poderoso Chefão), chegou a vender 21 milhões de exemplares no mundo todo.
Teve muita sorte quando Francis Ford Coppola resolveu adaptá-lo ao cinema. Várias vezes Coppola disse que considerava O Poderoso Chefão nada além de um bom livro para se ler na praia (a beach book). No entanto, com sentido de direção magistral, somado ao elenco estelar (Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Diane Keaton, Robert Duvall, etc.), e mais a música de Nino Rota, tranformou o texto apenas mediano em obra-prima. O cinema tem dessas coisas.
Mário Puzo será enterrado na segunda-feira.

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