Curitiba - Um menino de 17 anos foi encontrado morto no último domingo, no Centro de Socieducação (Cense) São Francisco, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O local abriga adolescentes que cumprem medidas socioeducativas. O corpo está no Instituto Médico Legal (IML), mas as causas da morte ainda não foram confirmadas. Esse foi o segundo caso ocorrido no local nos últimos quatro meses. No dia 21 de agosto, um outro menino, também de 17 anos, foi encontrado sem vida no Cense.
A Secretaria da Família e Desenvolvimento Social (Seds), por meio da Coordenadoria de Medidas Socioeducativas, divulgou uma nota oficial lamentando o ocorrido, mas não esclareceu as causas e circunstâncias da morte. Em nota, o órgão informou apenas que realizará a necessária investigação dos fatos e que ''todas as medidas administrativas estão sendo tomadas no sentido de minimizar as consequências deste triste episódio''. De acordo com o Ministério Público do Paraná, a Promotoria de Piraquara está investigando o caso.
Segundo a Seds, existem hoje cerca de 909 adolescentes cumprindo pena nas 18 unidades espalhadas pelo Paraná, e nas seis casas de semiliberdade, onde os internos podem sair para estudar ou trabalhar e retornar no período noturno. No total existem 1.050 vagas na rede de atendimento, e 1.100 servidores atuam nas unidades.

Sindsec

Conforme o Sindicato dos Servidores e Trabalhadores das Unidades de Internação e Privação de Liberdade de Adolescentes do Paraná (Sindsec-PR), em quase dois anos já ocorreram pelo menos sete mortes de adolescentes dentro das unidades socioeducativas do Estado. Foram duas no estabelecimento de Maringá (25 de agosto de 2011 e 5 de junho deste ano); uma no Cense de Pato Branco (5 de maio de 2011); uma em Laranjeiras do Sul (17 de junho de 2011); e três no Cense São Francisco, em Piraquara (18 de junho de 2011, 21 de agosto de 2012 e 9 de dezembro de 2012).
Mário César Monteiro, presidente do Sindsec-PR, informou que a situação dos Censes é grave, com superlotação das unidades e um deficit de 50% no número de funcionários. Ele afirma que as unidades não possuem uma equipe médica, com psiquiatras, médicos e educadores mais qualificados. ''Há dois anos vínhamos avisando da situação, cobrando medidas, novas contratações, melhoria das estruturas mas até agora nada foi feito. Falta pessoal e equipamentos para que possamos realmente recuperar estes jovens. Fazemos o nosso trabalho com competência, mas em que condições? Do jeito que está ou vamos entregá-los em caixões ou veremos algum tempo depois nos jornais eles sendo presos novamente'', ressaltou.
A Seds informou que as unidades atuais serão reformadas e que outras deverão ser construídas até o final de 2013, e que todos os profissionais passarão por uma capacitação. Além disso, o governo definiu a contratação de 411 novos educadores por meio de Processo Seletivo Simplificado.

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