Há oito meses, Marcelo Sangregório, 33 anos, não via o filho. Ontem à tarde, o comerciante, que mora em Campinas, esteve no Instituto Médico Legal de Londrina (IML) para liberar o corpo do adolescente, Rafael Sangregório, 15 anos, que morreu por volta das 13h30, na Santa Casa. Ele foi vítima de um disparo de arma de fogo na sexta-feira à noite, que atingiu sua nuca, alojando-se no olho esquerdo. A suspeita é que o crime tenha sido vingança de outro adolescente que, de acordo com testemunhas, pode ser o mesmo que há 10 dias roubou a bicicleta da vítima e de um primo.
O delegado do setor de Homicídios, Joaquim Antônio de Melo, disse ontem que a Polícia Civil realizou algumas buscas para encontrar o adolescente citado por testemunhas como sendo o autor do disparo contra Rafael. Porém, o rapaz não foi encontrado.
O crime aconteceu na Rua Lindóia, no Jardim Alvorada (Zona Oeste). Rafael estava com um primo e um amigo, que prestaram depoimento na 10 Subdivisão Policial (SDP). Os jovens contaram que estavam em um bar, comprando cigarros, quando repararam que tinha um grupo de rapazes passando por eles de bicicleta várias vezes.
O pai da vítima disse que um dos rapazes perguntou para Rafael quem o tinha entregado. ''Inocentemente, o meu filho falou que era ele. Então, o rapaz começou a atirar'', contou o comerciante. De acordo com uma das testemunhas, foram dois disparos, sendo que um atingiu o adolescente.
Um dos rapazes que estavam com a vítima contou que todos correram e se refugiaram na casa do pai de um deles. Ao darem por falta de Rafael, voltaram ao local do crime e o encontraram ferido. O rapaz chegou a ser internado na Unidade de Terapia Intensiva da Santa Casa (UTI), mas não resistiu ao ferimento.
Revoltado, o pai da vítima disse que no dia em que o filho e o primo foram roubados, Rafael correu e pediu socorro. Um policial que passava pelo local, prendeu três rapazes - um deles seria o autor do crime. ''O moleque não ficou preso nem uma hora. Ao sair prometeu matar o meu filho'', contou, acrescentando que a família quer justiça.
Sangregório destacou que Rafael passaria as férias escolares em sua companhia, depois de oito meses em que não se viam, já que se separou da mãe do adolescente morto. O enterro estava marcado para o Cemitério Padre Anchieta, no Jardim Ideal (Zona Leste). O pai contou que a família pensou em doar os órgãos do adolescente, que estudava na 7 série do ensino fundamental, mas não houve tempo hábil para o procedimento.

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