Morre em SP o sociológo Caldeira Brant
São Paulo, 25 (AE) - O sociólogo Vinícius José Nogueira Caldeira Brant morreu hoje, em São Paulo, aos 58 anos. Ele estava internado no Hospital das Clínicas desde o dia 13, para uma cirurgia no estômago. Segundo sua filha, a jornalista Maria Abramo Caldeira Brant, a morte foi provocada por uma infecção contraída no período pós-operatório.
Professor-titular de sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais, Brant veio a São Paulo para retirar um câncer do estômago.
Brant tornou-se conhecido em 1962, como presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em 1964, quando teve início o período de ditadura militar, o sociólogo estava na França. Por recomendação de amigos, ele permaneceu naquele país. Depois de alguns anos de auto-exílio, voltou, clandestino. "Durante esse período, ele passou a lutar na resistência democrática", informou Bárbara Abramo, ex-companheira de Brant.
O sociólogo foi preso, torturado, julgado e condenado a 5 anos de prisão. Anos depois, foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal. Pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Brant tem vários trabalhos publicados, entre eles a série de três livros "São Paulo-Crescimento e Pobreza". Nessa série, trabalharam vários pesquisadores, como Cândido Procópio Camargo e Florestan Fernandes .
O sociólogo também foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Nos últimos anos dedicou-se ao estudo de prisões e conflitos no campo. O enterro será amanhã (26), às 12 horas, no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte.





