São Paulo, 08 (AE) - O cantor, violonista e violeiro Xavantinho, da dupla Pena Branca e Xavantinho, morreu no início da tarde de hoje, no Hospital Nipo-Brasileiro, em São Paulo, de insuficiência respiratória e falência múltipla dos órgãos. Xavantinho tinha 58 anos e havia sido internado na quarta-feira (06) por problemas respiratórios.
Xavantinho nasceu em Uberlândia, Minas Gerais. Recebeu o nome de Ranulfo Ramiro da Silva. Menino, trabalhou na roça, como os pais e os cinco irmãos - entre eles, José Ramiro Sobrinho, três anos mais velho, que tocou viola desde pequeno e mais tarde adotaria o nome artístico de Pena Branca. A dupla teve outros nomes, desde que começou a carreira, em 1962. Só em 1970, morando já há dois anos em São Paulo, os irmãos assumiriam definitivamente os pseudônimos consagrados. Naquele ano ganharam um festival de música sertaneja promovido pelo radialista Zé Bettio.
Gravaram um disco com a música vitoriosa, "Saudade", que não teve repercussão. Pena Branca chegou a desistir da carreira, uns anos depois. Xavantinho, não: acreditava no poder da música da dupla. Poder finalmente reconhecido pelo produtor Roberto Oliveira (irmão do compositor Renato Teixeira), em 1980, que levou a dupla a estúdio, para fazer o primeiro disco, "Velha Morada" - esgotado e nunca reeditado.
No mesmo ano, Pena Branca e Xavantinho classificaram num festival da TV Globo a música "Que Terreiro é Esse?", apresentada com a Orquestra de Violas de Osasco. Logo depois, o cantor e apresentador Rolando Boldrin os levaria para seu novo programa de televisão, "Som Brasil", na TV Globo. Boldrin produziu o segundo disco deles, "Uma Dupla Brasileira". O terceiro disco, "O Cio da Terra", veio só em 1987. A canção título era de Milton Nascimento e Chico Buarque. Milton participou da gravação de sua música, ajudando a consolidar o prestígio da dupla.
Pena Branca e Xavantinho gravaram mais seis discos, todos premiados. "Cantadô do Mundo Afora", de 1990, recebeu o Prêmio Sharp de melhor disco do ano e de melhor música, por "Casa de Barro", de Xavantinho e Moniz. Outro trabalho premiado foi "Ao Vivo em Tatuí", que Pena Branca e Xavantinho dividem com o cantor Renato Teixeira. O último trabalho deles foi "Coração Mulato", que saiu no ano passado.
A obra da dupla representa o que há de melhor, mais digno e mais refinado na música sertaneja, sem concessão a modismos ou injunções de mercado. O corpo de Xavantinho deve ser sepultado em sua cidade natal, Uberlândia.

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