Morre em Goiás 54ª vítima de acidente
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Sandra Sato Agência Estado 
Morreu ontem à tarde a romeira Maria Cândida de Oliveira, que teve 95% do corpo queimado no acidente de terça-feira no km 178 da Rodovia Anhanguera, em Araras (SP). Ela estava internada com outros sete feridos no Hospital de Queimaduras de Anapólis (GO). Com isso sobe para 54 o número de vítimas fatais do desastre, no qual se envolveram dois ônibus de romeiros de Anápolis e dois caminhões. Todos os veículos pegaram fogo. A família Oliveira estava de luto desde o início da semana por causa da morte de Ana Carolina, de 8 anos, neta de Maria Cândida, que viajou com a avó para Aparecida (SP). O corpo da mulher, o primeiro das vítimas do acidente a ser velado na cidade natal, foi levado para a paróquia São Pedro e São Paulo, no início da noite.
A demora no reconhecimento dos corpos tem deixado a população apreensiva. Religiosos da Igreja Nossa Senhora Aparecida montaram onteme um mapa dos ônibus identificando o assento onde cada pessoa estava sentada. O mapa foi enviado para Campinas para ajudar no trabalho de reconhecimento.
Em meio à angústia e o luto, os parentes das vítimas tiveram ontem que se preocupar também com a denúncia de que corretores e representantes de funerárias estariam procurando os familiares para assinar uma procuração autorizando o saque do seguro obrigatório, Dpvat. A indenização por morte é de R$ 5 mil. A pessoa ferida em acidente também pode retirar o seguro, mas no valor máximo de R$ 1,5 mil.
Um representante do Ministério Público fez um pronunciamento nas TVs pedindo aos familiares que não assinassem documentos, pois o Ministério Público ajudaria os feridos e os parentes das vítimas a entrar com a documentação.
A notícia de fraude acabou gerando confusão no Hospital de Queimaduras. Mesmo sendo credenciado pelo Sistema Único de Saúde, o hospital fez acordo com a Fenaseg para cobrir com o seguro obrigatório as despesas de pacientes sem convênio ou plano de saúde. A cota mensal que o hospital recebe do SUS é cerca de R$ 20 mil, o que não é suficiente nem para cinco dias de atendimento, conforme informou a diretora administrativa do hospital, Lucia Helena da Silva.
Por isso, aos pacientes é pedido que assinem um termo de anuência para que o advogado do hospital, Luiz Pereira da Silva, os represente junto à seguradora. A paciente Maria Eunice Neves dos Santos, que teve queimadura de 2º grau no dedo mínimo ao sair do ônibus pela abertura que ficava em seu teto, desconfiou do procedimento. O direito é meu, não é do hospital, questionou, mas acabou convencida pelos funcionários do hospital de que era uma alternativa para que não pagasse as despesas médicas.


