Morreu ontem à tarde a romeira Maria Cândida de Oliveira, que teve 95% do corpo queimado no acidente de terça-feira no km 178 da Rodovia Anhanguera, em Araras (SP). Ela estava internada com outros sete feridos no Hospital de Queimaduras de Anapólis (GO). Com isso sobe para 54 o número de vítimas fatais do desastre, no qual se envolveram dois ônibus de romeiros de Anápolis e dois caminhões. Todos os veículos pegaram fogo. A família Oliveira estava de luto desde o início da semana por causa da morte de Ana Carolina, de 8 anos, neta de Maria Cândida, que viajou com a avó para Aparecida (SP). O corpo da mulher, o primeiro das vítimas do acidente a ser velado na cidade natal, foi levado para a paróquia São Pedro e São Paulo, no início da noite.
A demora no reconhecimento dos corpos tem deixado a população apreensiva. Religiosos da Igreja Nossa Senhora Aparecida montaram onteme um mapa dos ônibus identificando o assento onde cada pessoa estava sentada. O mapa foi enviado para Campinas para ajudar no trabalho de reconhecimento.
Em meio à angústia e o luto, os parentes das vítimas tiveram ontem que se preocupar também com a denúncia de que corretores e representantes de funerárias estariam procurando os familiares para assinar uma procuração autorizando o saque do seguro obrigatório, Dpvat. A indenização por morte é de R$ 5 mil. A pessoa ferida em acidente também pode retirar o seguro, mas no valor máximo de R$ 1,5 mil.
Um representante do Ministério Público fez um pronunciamento nas TVs pedindo aos familiares que não assinassem documentos, pois o Ministério Público ajudaria os feridos e os parentes das vítimas a entrar com a documentação.
A notícia de fraude acabou gerando confusão no Hospital de Queimaduras. Mesmo sendo credenciado pelo Sistema Único de Saúde, o hospital fez acordo com a Fenaseg para cobrir com o seguro obrigatório as despesas de pacientes sem convênio ou plano de saúde. A cota mensal que o hospital recebe do SUS é cerca de R$ 20 mil, o que não é suficiente nem para cinco dias de atendimento, conforme informou a diretora administrativa do hospital, Lucia Helena da Silva.
Por isso, aos pacientes é pedido que assinem um termo de anuência para que o advogado do hospital, Luiz Pereira da Silva, os represente junto à seguradora. A paciente Maria Eunice Neves dos Santos, que teve queimadura de 2º grau no dedo mínimo ao sair do ônibus pela abertura que ficava em seu teto, desconfiou do procedimento. ‘‘O direito é meu, não é do hospital’’, questionou, mas acabou convencida pelos funcionários do hospital de que era uma alternativa para que não pagasse as despesas médicas.

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